Jogos do Xingu reunirão mais de 600 atletas de 14 aldeias do PIX

Três gerações juntas: Tabata, Urissapá e Maricá. Família da etnia dos Kuikuro é apaixonada pelo

futebol e idealizou a realização do 1º Jogos do Xingu. Foto: Rafael Govari

O Parque Indígena do Xingu (PIX) receberá entre os dias 15 e 19 de julho, o 1º Jogos do Xingu, na aldeia Kuikuro, com a participação de 14 aldeias. A modalidade mais disputada será o futebol de campo, com 14 equipes masculinas e 14 femininas. São esperados mais de 650 atletas. O campo onde serão disputadas as partidas na verdade é um terrão, sem grama, mas nada que afaste os jogadores. Além do futebol de campo, acontecerão torneios de canoagem, cabo de guerra, corrida de 100 metros, natação, arco e flecha, entre outras. Serão os maiores jogos da história do PIX.

A realização dos jogos é uma parceria dos indígenas com a Prefeitura Municipal de Canarana-MT e o Ministério dos Esportes. Conforme o secretário de Esportes de Canarana, Ênio Haas, os jogos terão visibilidade nacional e internacional. “É um evento que vai chamar a atenção nacional e internacional. Estamos dando total apoio à realização dos jogos”, disse. Ênio Haas também falou que será uma grande festa. Além dos jogos, acontecerão apresentações culturais e a escolha do índio e da índia mais bonitos.

Para o prefeito de Canarana, Evaldo Diehl, os jogos são de extrema importância para Canarana, por lei declarada a cidade Portal do Xingu. “Foi um pedido do Ministério dos Esportes que fez ao Município para a realização dos jogos”, disse o prefeito, acrescentando que a organização já está trabalhando há um ano no evento. Segundo seu Evaldo, estarão presentes na abertura do evento diversas autoridades do Governo do Estado e do Governo Federal.

Para Maricá Kuikuro, da família idealizadora do evento, o objetivo é conquistar o apoio permanente do Ministério dos Esportes e realizar os jogos a partir de agora todos os anos. Além de oportunizar a prática esportiva e a disputa, os jogos são um meio de integração dos povos do Xingu. “Vamos ver como será a primeira edição para programar a segunda, que poderá ser realizada em outra aldeia ou na cidade de Canarana”, disse.

Cada atleta participante dos jogos receberá uma rede e uma chuteira. Todas as equipes receberão uniforme personalizado. A equipe de arbitragem é da cidade de Canarana. Uma equipe de filmagem e outra de imprensa fará a cobertura do evento para abastecer as mídias regionais, estaduais e nacionais.


Secretário de Esportes de Canarana Enio Haas. Foto: Rafael Govari 

Como os jogos do Xingu foram concebidos

Tabata Kuikuro era adolescente e ouvia pelo rádio Pelé e companhia em ação nas copas da década de 1960 pela seleção brasileira. “A gente escutava os jogos da seleção pelo rádio e nem sabia o que era futebol“, contou Tabata, da etnia Kuikuro, localizada no Parque Indígena do Xingu, que nunca tinha visto uma partida de futebol.

Ele foi conhecer de fato o futebol ao vivo e a cores com a chegada do etnólogo Olímpio Serra, que foi diretor do PIX no início da década de 1970. Olímpio era torcedor do Vasco da Gama do Rio de Janeiro, clube que também entrou no coração de Tabata. Aquele adolescente que nem sabia o que era futebol, mas que vibrava com as emocionantes narrações dos jogos da seleção brasileira pelo rádio, se tornou um apaixonado e praticante do esporte que é a preferência nacional.

Hoje com 60 anos, Tabata disse que não joga mais, apenas torce na beira de campo. Quando jovem, ele garante que era bom de bola e vestia a camisa 10 do time, na função de atacante. Pai de 10 filhos, todos herdaram a paixão pelo esporte. São oito homens e duas mulheres. “Se juntar eu e os meus 10 filhos dá um time de futebol”, brinca. Maricá, filho de Tabata, fez parte das categorias de base do time cruzmaltino da colina, mas não chegou aos profissionais. Outro filho, Bebeto, treinou nas categorias de base de vários clubes profissionais. Os netos, como Urissapá, 12 anos, herdou o DNA e treina todos os dias sonhando em ser jogador de futebol.

A ‘grande família’ do patriarca Tabata, a partir do futebol, começou a conceber há três anos a realização de um grande evento esportivo no Parque Indígena do Xingu, onde a bola já virou uma febre que rivaliza até com a tradicional luta uka uka. Mas, para isso era preciso recursos. Então, eles produziram um projeto para angariar verbas junto ao Ministério dos Esportes. E conseguiram.

Maricá diz que a realização do 1º Jogos do Xingu nasceu a partir da paixão que a família e, principalmente seu pai, tem pelo futebol: “Futebol é tudo para nós. É o esporte do Brasil e nós temos isso no sangue”.

Prefeito Evaldo Diehl concede entrevista.

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