Juíz determina retirada das famílias no Posto da Mata que dizem resistir

Mais uma etapa do episódio Suiá Missú – Marawatsede está prestes a acontecer, desta vez o episódio é a segunda ordem de retiradas das famílias que retornaram para o Posto da Mata, após o Governo não ter cumprido com as promessas de assentamentos e inclusões em ações sociais, pelo menos esse seria um dos motivos que as mais de 300 famílias que já voltaram para as terras que tiveram que deixar a partir de dezembro contam.

Nesta quinta-feira(06) o Agência da Notícia esteve no local onde as famílias estão acampadas, é no antigo hotel Goiano, onde a vice-prefeita da cidade de Alto Boa Vista Irmã Irene como é conhecida arrendava e tocava o comércio que tinha 20 quartos e oferecia cerca de 7 empregos diretos. Foi para esse mesmo hotel que a Vice-Prefeita e mais de 250 famílias se refugiaram depois de estarem há mais de 45 dias em acampamentos improvisados às margens da  BR-158. “Nós viemos para cá porque não temos para onde ir, tiraram tudo que nós tínhamos prometeram que iriam abrigar as pessoas e nada disso aconteceu, nós estamos reivindicando um Direito que é nosso, essa situação precisa ser revista e nós ainda acreditamos na Justiça”, disse irmã Irene ao Agência da Notícia.

Nesta mesma quinta-feira (06), distante do Posto da Mata, o Juíz Federal Julier Sebastião d Silva, da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, determinou que a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional de Segurança retornem à terra indígenas de Maraiwatsedé, região nordeste de MT, e Norte Araguaia , para que possam assegurra retirada das famílias que reivindicam diretos que segundo eles não foram cumpridos pelo Governo Federal.

De acordo com a decisão, as forças policiais deverão acompanhar os oficiais de justiça responsáveis por executar mandado de desocupação da antiga gleba Suiá Missú, de aproximadamente 165 mil hectares, fazendo valer sentença que devolveu a terra aos xavantes e culminou no processo de desintrusão de todos os não-índios que ainda ocupavam a área entre o final de 2012 e o começo deste ano – trabalho também levado a cabo até abril pelas mesmas forças policiais, com apoio logístico do Exército.

A reintegração de posse de Marãiwatsédé foi requerida à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Fundação Nacional do Índio (Funai) tão logo foi noticiado o retorno de posseiros despejados do local.

Em parte da decisão o Juíz determina inclusive a apreensão de veículos e bens dos não índios. “Expeça-se mandado de desocupação, inclusive com a apreensão de armas, veículos e demais bens dos não-índios, o qual deverá ser cumprido nos mesmos moldes das decisões de fls. 4796/4801, 4874/4876 e 6700, oficiando-se à Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança, que deverão prestar auxílio total e irrestrito durante todo o processo de execução desta decisão. Anote-se que a renovação da invasão representa afronta à Justiça e ao Estado Democrático de Direito, que não pode ser tolerada.”, diz a determinação judicial.

O Juíz também determinou a destruição da lavoura de soja que está plantada dentro da área, que totaliza mais de 2 mil hectares de soja plantados, a medida de acordo com o Juíz é para invadir que a ferrugem asiática se alastre por outras plantações.

Ainda segundo os ex-moradores da Suiá Missú que estão de volta no pedaço de terra que eles acreditam ainda ser deles, a saída não ocorrera de forma simples. “Nós já fomos humilhados estamos sendo tratados como se fossemos bandidos, estamos passando fome, sem emprego, sem terra sem direito a nada, agora eu pergunto que Brasil é esse? Temos um exemplo recente do que aconteceu em MS, porque os índios podem rasgar ordem judicial como aconteceu recentemente na fazenda Buriti em Sidrolandia-MS, porque aqui a ordem tem que ser cumprida doa a quem doer? Porque aqui o governo não conversa com os produtores? Queremos ser ouvidos e precisamos de uma solução, em Mato Grosso do Sul, o governo reverteu a situação, mas aqui nosso mérito não foi julgado e eles nos tiraram da área. São dois pesos e duas medidas, mas fazer o quê? Isso é o Brasil” disse um dos produtores que está acampado no Posto da Mata.

O clima é tenso e moradores estão determinados a ficar na área, alguns barracos começaram a ser erguidos e muito moradores dizem que inclusive já estão voltando para as terras onde moravam.

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