Juízes de Mato Grosso estão na mira do crime organizado

Região da fronteira com a Bolivia é a mais perigosa para o exercício da magistratura

Um grupo de policiais militares está encarregado de fazer a proteção, 24 horas por dia, de quatro juízes de Mato Grosso, que estão sob a ameaça do crime organizado.

O Tribunal de Justiça não confirma, mas as principais regiões em que os magistrados são alvos de ameaça são as comarcas localizadas próximas da fronteira com a Bolívia, a denominada “Grande Cáceres”.

A região é famosa pela ação das quadrilhas especializada no tráfico internacional de drogas, além do contrabando de armas, de acordo com a Polícia.

Segundo o TJ, todas as informações sobre a escolta dos magistrados são sigilosas. A instituição não informa nem quantos policiais foram designados para a proteção pessoal dessas autoridades. Apenas diz que o custo por policial é acrescentado de um 1/3 do salário que ele recebe.

Procurado pelo MidiaJur, o coordenador militar do Tribunal, coronel Wilson Batista, não quis dar entrevista sobre o assunto.

Ele apenas informou, por meio de assessoria, que “por questão de segurança e sigilo, as informações que já foram repassadas são as que podem ser divulgadas”.

Na busca pela intimidação e pela não condenação dos acusados, os juízes são os alvos principais dos grupos criminosos.

Em Mato Grosso, apenas juízes recebem as escoltas policiais. Conforme informações do Ministério Público, nenhum promotor de Justiça, neste ano, recebeu esse tipo de proteção.

No ano passado, segundo dados do CNJ, em todo o país, mais de 150 juízes necessitavam de escolta policial e apenas 61, efetivamente, as tinham.

Casos em MT

Na região de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá), nos últimos dois anos, três juízes já sofreram intimidações por parte do crime organizado.

O juiz Anderson Candiotto, que atuava na comarca de Mirassol D’Oeste (300 km a Oeste), na região de Cáceres, era um deles.

Ele pertencia ao grupo de 61 juízes, que em todo o país, dependiam de escolta pessoal, para exercer atividades do cotidiano.

Candiotto já foi transferido da comarca e não precisa mais da escolta policial.

Além dele, uma magistrada que atuava na comarca de São José dos Quatro Marcos (315 km a Oeste da Capital) teve a sua casa metralhada, em 2011.

E no município de Cáceres, um juiz que atuava no julgamento de processos de tráfico de drogas também foi ameaçado.

“Juiz sem rosto”

Na tentativa de impedir que juízes sejam ameaçados, o Tribunal de Justiça instituiu a figura do “juiz sem rosto”, com a aprovação da resolução que regulamenta a Lei Federal Nº 12.694, que institui no Estado o julgamento colegiado, em primeiro grau de jurisdição, nos crimes praticados por organizações criminosas.

O objetivo é conferir, em situações de gravidade, segurança aos magistrados que atuam em processos envolvendo o crime organizado e organizações criminosas de qualquer natureza. Mídia News

Responder

comment-avatar

*

*