Logística do Araguaia é precária

VALE DO ARAGUAIA – O Jornal Estadão de São Paulo fez uma reportagem especial sobre a logística da região do Vale do Araguaia, uma equipe da publicação passou pela região entrevistando pessoas, e vendo de perto a situação da BR-158, a principal via de acesso e escoamento da produção na região. Segundo o a publicação o projeto de asfaltamento da rodovia no trecho que corta Mato Grosso está há 30 anos pronto, mas não saiu do papel. A publicação resumiu a BR-158 em cinco matérias, que destacam o traçado que atravessa Mato Grosso até o Pará, seguindo o curso do rio Araguaia (norte-sul).
Um dos destaques é para as pontes de ferro instaladas a 30 anos pelo exército entre os município de Santana do Araguaia e Redenção no Estado do Pará. Hoje, essas pontes estão sem manutenção e não passam de sucatas que colocam em risco a vida das pessoas, principalmente dos caminhoneiros que escoam a produção da última fronteira agrícola do país.
Os transportadores de cargas saem principalmente de Porto Alegre do Norte, Confresa, Vila Rica e Santa Cruz do Xingu, maiores produtores de soja da região e São José do Xingu, o maior exportador de bovinos do Norte Araguaia, rumo aos mercados consumidores e portos de exportação.
Em centímetros bem calculados, caminhões se espremem para cruzar as pontes de ferro enferrujadas, em um trecho isolado da BR-158 entre os municípios de Santana do Araguaia e Redenção, no Pará. Filas se formam nos dois lados das apertadas travessias de mão única, à espera que cada um passe pelo caminho. É preciso paciência. A velocidade tem de ser mínima porque qualquer erro de cálculo pode ser fatal. Para desviar dos buracos da ponte, caminhões são obrigados a zanzar sobre a plataforma. Frequentemente, a habilidade no volante não é suficiente. Os acidentes são frequentes, com caminhões carregados de grãos sendo tragados rio abaixo. Dois meses atrás, mais um caminheiro morreu no local.
“A gente tem que guiar a 5 quilômetros por hora por causa do perigo. É quando o bandido chega. Eu fui roubado aqui. Subiram no meu caminhão e me pararam. Levaram minha carteira, meu celular e um rádio amador que eu usava para falar com os amigos na estrada”, diz Neuro Marcon, caminhoneiro que cruza essas pontes há três anos.
Com um caminhão carregado de ração de resíduos de dendê, Marcon diz que seus colegas de trabalho têm evitado transitar pela rodovia. “Desse jeito, não dá. A gente não sabe o que vai encontrar pela frente. Já cansei de ver caminhão tombado nessa estrada”.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que os anteprojetos de engenharia para construção de novas estruturas estão prontos, restando agora a etapa de orçamento das obras, para licitação nos 30 dias seguintes.
“Essas pontes estão nesse estado deplorável há mais de 20 anos, e ninguém faz nada de concreto para resolver isso”, diz Vitório Guimarães da Silva, que há 27 anos produz soja e milho na região de Redenção/PA.
Enquanto que alguns políticos só prometem, as riquezas da região precisam ser escoadas por essa rodovia. Em solo mato-grossense, ainda restam 200 quilômetros por asfaltar, mesmo que a obra tenha sido prometida em 2.006 para estar concluída em 2.012. (Assessoria de Imprensa com Inácio Roberto) Escrito por Inácio Roberto

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