Logística no Mato Grosso

O Estado de Mato Grosso é um dos principais produtores agrícolas do país, sendo o 1º. produtor de soja, o 1º. de algodão, o 2º. de milho e o 1º. de gado de corte, tem sua economia baseada essencialmente na produção agrícola. Na safra de 2010/2011 plantou 6,4 milhões de ha de soja e colheu 20,4 milhões de ton. de grãos, no milho plantou 1,9 milhões de ha e colheu próximo de 7,6 milhões de ton. de grãos, plantou  723,5 mil há de algodão e colheu 2.561,2 mil ton. de algodão em caroço, possui 26 milhões de há de pastagem e um plantel de 29 milhões de cabeças de bovinos.

Exemplo para nosso país em gestão do agronegócio, com uma agricultura empresarial de deixar com inveja os Norte Americanos, cujo Secretário de Agricultura declarou, que em agricultura o Brasil é país de primeiro mundo. Embora sem subsídios mantém a agricultura mais competitiva do planeta. Para que possa exportar utiliza os portos abaixo onde os mais próximos estão até  2.100 km e que são percorridos por rodovias a um custo entre 120 e 130 dólares/ton:

Portos

Soja

Milho

Santos

48%

55%

Manaus(Itacoatiara)

15%

18%

Vitória

12%

19%

Santarém

10%

São Fco. Do Sul

7%

1%

Paranaguá

6%

8%

Como podemos observar o volume de produção é enorme, devemos ainda considerar os fertilizantes: mais de 4 milhões ton e Calcáreo outras 9 milhões de ton, que terão obrigatoriamente que ser transportados por estas rodovias. Ao somarmos somente os itens acima teremos 43.500.000 toneladas que ao dividirmos por uma média de 35 ton/caminhão teremos trafegando 1,243.000 veículos. O que demonstra ser o modal rodoviário inadequado para nosso Estado.

Orgulho para todos brasileiros e principalmente para nós que fizemos da agricultura nossa vocação e nossa vida. No entanto muito nos preocupa o futuro desta atividade, o problema de logística tira o sono de todos; embora o Governo Federal tenha feito melhorias na manutenção das rodovias federais faltam ainda a conclusão das BR 163 até Santarém(PA), da BR158 até Marabá(PA), da BR 242 ligando Ribeirão Cascalheira a Sorriso e de fundamental importância a ligação pela BR 080 de Ribeirão Cascalheira(MT) a Luiz Alves em Goiás que permitirá acesso à Ferrovia Norte Sul em Porangatú(GO) em trecho de 350 km que só faltam 184 km para pavimentação.

A tão sonhada duplicação da BR 163 entre Rondonópolis e o Posto Gil, teve agora seu inicio entre Rosário do Oeste e o Posto Gil, mas falta muito para reduzir as perdas de vidas diárias, pois neste trecho trafegam diariamente mais de 14.000 veículos dos quais 85% carretas.

Um estado que possui rios como o Teles Pires, o Arinos, o Juruena, o Paraguai não consegue implementar o modal ideal pelos custos reduzidos e praticamente sem impacto ambiental que são as hidrovias.

A Ferrovia chegou ao Estado, mas nenhum benéfico criou para o setor produtivo, pois as tarifas cobradas são as mesmas do transporte rodoviário. Surgem agora novas esperanças com a chegada da Ferronorte a Rondonópolis e no futuro a Cuiabá, a implantação da FICO – Ferrovia de Integração Centro Oeste ligando a Ferrovia Norte Sul em Goiás a Vilhena em Rondônia, passando por Lucas do Rio Verde, associado às mudanças nos Marcos Regulatórios proporcionadas pela ANTT – Agencia Nacional de Transportes Terrestres, poderão levar este modal aos custos internacionais de 70% do transporte rodoviário.

No âmbito estadual faltam manutenção das rodovias pavimentadas e pavimentação de rodovias de fundamental importância como a MT 020 que liga Canarana a Paranatinga, reduzindo em 185 km o acesso à Capital de Mato Grosso.

Estamos também deficientes em armazenagem, enquanto os Estados Unidos possuem 120% de capacidade, o Canadá 200%, o Brasil 70%, o Mato Grosso possue somente 64%, ou seja, na safra temos que obrigatoriamente transportar durante a colheita 36% no mínimo de nossa produção, acarretando aumento do trafego, dos fretes e do risco.

Quando estamos falando de 36% da safra entenda-se de grãos. O problema de logística sem dúvida é o nosso principal gargalo para o desenvolvimento. Quando pensamos em um crescimento médio de 10% ao ano, que é sem dúvida possível, haja vista que na safra 2003/2004 crescemos 12%, teremos em 5 anos algo como 50 milhões de toneladas sendo transportadas por nossas rodovias, hidrovias e ferrovias.Como para alcançar as hidrovias e a ferrovia teremos que obrigatoriamente usar as estradas, haverá um trafego de 1.400.000 veículos de carga.
Nossa capacidade de armazenamento terá que ser ampliada em 134%, para que possamos escoar de forma tranqüila nossa produção.

Nossos dirigentes devem tomar as providencias para que a logística não continue sendo mais um custo Brasil, tirando parte de nossa competitividade lá fora.

agrodebate.

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