Mãe e padrasto de criança encontrada morta em canavial são presos como principais suspeitos

Mãe e padrasto de criança encontrada morta em canavial em Tangará da Serra foram presos pela Policia Judiciária Civil (PJC) nesta manhã de quarta-feira (17). O corpo da criança foi localizado no último dia 19 de março. Rosana de Oliveira Golart de 18 anos e Paulo Edson da Silva de 43 são investigados no inquérito policial e são os principais suspeitos do homicídio. Eles prestarão depoimentos e em seguida irão cumprir mandado de prisão temporária.

A delegada Liliane Diogo é a responsável pelo inquérito policia e segundo ela, eles vão responder por homicídio qualificado praticado meio cruel e estupro de vulnerável. De acordo com a assessoria de imprensa da PJC, os dois são tratados como os principais responsáveis pela morte do pequeno, Pablo Henrique de Oliveira, de apenas dois anos.

Consta do laudo pericial do Instituto de Medicina Legal (IML) que a criança teria morrido em decorrência de choque hipovolêmico, ainda segundo o documento, o laudo confirmou que ele foi vítima de violência sexual e sofreu lesão corporal provocada por instrumento contundente. A crueldade da ação continuou, os autores do crime abandonaram a criança ainda viva em um canavial ao alcance de cães. A perícia concluiu que o menino morreu lentamente devido aos sangramentos dos ferimentos.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, depois do enterro da criança, a Polícia Civil acompanhou a rotina da família e viram que a mãe, Rosana, foi até uma região de canavial com seu outro filho de seis. Em outra ocasião, a criança contou aos policias o teor da conversa que teve com a mãe e que ela teria dito que o irmãozinho dele teria morrido ali.

A contradição chamou a atenção da delegada, pois segundo ela, eEsse primeiro local fica a 450 metros da casa. Mas o corpo foi encontrado a 2.200 metros de distância da residência”.

Com essa informação, a polícia civil acompanhada do perito técnico Elisbão Vitor, foram durante a noite até o local e com uso de luminol confirmou a presença de sangue humano no chão.

As investigações apontaram também que havia cinzas com sangue humano que estavam em um buraco, feito no chão, do lado de fora da casa da família. Fato que reforçou a participação dos pais da criança no crime. “A perícia confirmou sangue em cinzas de tecido e em uma espécie de lona azul, do tipo usada para cobrir piscina, não estavam enterrados. Numa parte da lona que não foi queimada encontramos sangue”, afirmou à delegada.

Outra evidência foi encontrada nas roupas usadas pelo casal no dia do desaparecimento da criança, sangue foi encontrato. “Agora está em laboratório para analisar se esse sangue é do menino. São três indícios que levam ao casal. Isso está em pericia para confrontar com o DNA do menino”, destacou a delegada.

O corpo do menino, Pablo Henrique de Oliveira, foi encontrado no dia 19 de março, em um canavial, a cerca de 2 quilômetros do sítio onde morava com mãe, o padrasto e um irmão de 6 anos.

Ele tinha lesões na região anal e também no corpo. Uma amostra de material encontrado no ânus da criança foi encaminhada à perícia que, inicialmente, constatou que não havia presença de espermatozóide. A mesma foi levada para o Laboratório Forense, em Cuiabá, que ainda analisa o material.

Investigações

A busca pela criança iniciou um dia antes do seu ‘desaparecimento’, dia 18, quando a mãe foi até a delegacia, contando que por volta das 10h30 teria dado falta do filho de dois anos. De acordo com os relatos da mesma, ela teria procurado a criança pela vizinhança e teve ajuda dos amigos da comunidade, mas com o apoio do Corpo de Bombeiros e de policiais civis foi possível encontrar a criança.

De acordo com a PJC, a mãe já tinha histórico de violência cometida contra o filho. Em 22 de agosto de 2011, o padrasto do menino registrou boletim de ocorrência denunciando mãe por ter arremessado o filho durante uma discussão do casal. Na ocasião, o menino sofreu uma lesão na cabeça e foi encaminhado para uma casa transitória, em Tangará da Serra, onde permaneceu por cerca de três meses. Em audiência no dia 29 de novembro de 2011, a Justiça autorizou o retorno da criança à família.

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