Mãe tenta achar o filho desaparecido após ser incluído no Programa de Proteção a Testemunhas em MT

Um caso curioso e que deverá assumir grandes proporções: a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Amparo à Criança, ao Adolescente e ao Idoso da Assembleia Legislativa de Mato Grosso em reunião a ser realizada nesta terça-feira, 7, ouvirá o depoimento de Maria de Lurdes Evangelista Oliveira, 63, trabalhadora rural e moradora do Assentamento Ena, localizado no município de Feliz Natal, localizado a 610 km de Cuiabá, na região norte de Mato Grosso.

Seria um depoimento comum não fosse um detalhe: a mulher em questão é mãe de João José Evangelista de Oliveira, 26, que em 2006 foi a testemunha chave que levou o Ibama e a Polícia Federal a deflagrar a operação batizada por “Mapinguari”, que em maio de 2007 prendeu dezenas de pessoas, entre elas indígenas, madeireiros e servidores da Sema e do Ibama por envolvimento em crimes ambientais.
Com 18 anos de idade na época João José morava junto com a mãe em uma fazenda de propriedade da ONG Fundação Fernando Eduardo Lee (com sede na cidade de Guarujá-SP), localizada na Gleba Rio Negro, em Feliz Natal. A mãe dele e o padrasto eram funcionários da fundação. Conforme denúncia feita pela trabalhadora junto ao procurador Paulo Prado e Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, em dezembro de 2011, e ao presidente da AL/MT deputado José Riva (PSD), em fevereiro de 2012, com a oferta de R$ 10 mil e um caminhão toreiro o jovem teria sido induzido a fazer a denúncia junto a PF e Ibama.
O corruptor teria sido Avenir Fernandes Marques, então gerente da fazenda da ONG, a qual possui vários litígios possessivos por terras. Boa parte da área da qual a ONG alega ser proprietária é alvo de disputa judicial com madeireiros e produtores rurais da região.
Ainda segundo a denúncia, após a operação ter sido realizada o patrão do rapaz (Avenir) passou a escondê-lo para evitar que a farsa da compra da testemunha fosse descoberta. Com cobrança da mãe para descobrir o paradeiro do filho ela descobriu que o filho havia sido trazido para Cuiabá por Avenir e o advogado Juliano Tramontina e entregue ao Ministério Público Federal (MPF-MT) onde foi pedida a inclusão de João José no Programa de Proteção de Testemunhas do Ministério da Justiça (MJ). No caso,  sob falsas alegações de que o jovem estava correndo risco de vida devido a denúncia que fizera em 2006 a qual serviu de base para a operação.
Ao procurar o MPF  a trabalhadora descobriu que o filho, a pedido do procurado Mario Lúcio Avelar, mesmo sem o conhecimento e autorização dos pais que são responsáveis legais, foi levado para Brasília-DF onde permaneceu sob proteção da União no programa de proteção a testemunha. A promotora do MPF no Estado,  Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro, informou os pais do jovem que ele  também sem qualquer conhecimento dos familiares, foi desvinculado do programa de proteção de testemunha no mês de setembro de 2010.
O agravante disto é que na época o jovem era menor de 21 anos e não poderia ser incluído no programa sem o conhecimento e consentimento dos país, um grava erro do MPF-MT que agiu de forma irresponsável com base em informações enganosas prestadas pelo gerente da referida ONG. Outro fato é que toda a família deveria ter sido incluída – hoje Maria de Lurdes e Moacir Andrade (padrasto) vivem sob constantes ameaças e risco de vida – já que são testemunhas da tramoia montada pela ONG.
 “Tudo que eu desejo é encontrar meu filho e abraçar ele e acabar com está angústia no meu coração. Ele nunca fez nada errado. Preciso de ajuda já não tenho mais a quem recorrer. As pessoas que puseram ele nestas mentiras, usaram ele e sabe lá Deus podem tem feito algum mal a ele”, declarou Maria Evangelista.

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