Maior expansão é de MT

Conab mostra que o Estado foi quem mais aumentou a área e a produção graças à 2ª safra e à conversão de pastagens

Mato Grosso, consolidado como o maior produtor de grãos e fibras da safra 2011/12, foi o Estado que mais incrementou área e produção na atual temporada. Mesmo com números superlativos a cada ciclo, houve ainda assim a expansão de 13,2% em hectares plantados e de 22% no volume colhido. Nenhum outro Estado registrou performance parecida. Os dados fazem parte do nono levantamento de grãos 2011/2012, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Neste estudo, a Conab ratificou a posição de líder nacional do Estado na produção agrícola desta safra revisando para cima a produção total que deverá somar 37,79 milhões de toneladas (t), 22% acima das 30,94 milhões consolidadas na safra 2010/11. Com esse resultado, o Estado deverá participar com quase 24% do total nacional, estimado em 161,23 milhões de t, 1% abaixo das 162,80 milhões do ano passado.

Em um intervalo de um mês, de maio para junho, a Companhia corrigiu a previsão de produção para Mato Grosso em 3,1% em função dos resultados da segunda safra com o milho. Em maio, o Estado que já era o líder nacional tinha a estimativa de totalizar 36,63 milhões de t, volume que agora foi acrescido de pouco mais de 1 milhão de t. A produção mato-grossense, especialmente do cereal, foi decisiva neste ciclo para impedir que o total nacional recuasse ainda mais por causa da estiagem observada em importantes produtores brasileiros, como, por exemplo, Paraná e Rio Grande do Sul.

O segundo maior produtor nacional é o Paraná, cuja produção deverá somar 30,84 milhões de t, 15,3% inferior à temporada anterior.

Conforme a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), existe no Estado um estoque de área com pastagem de baixa produtividade que soma 7,7 milhões de hectares e que pode ser convertido para a agricultura, opção que vem sendo utilizada pelos produtores. “O avanço se dá sobre áreas degradadas. Nenhum hectare está sendo aberto e nossa projeção é chegar à safra 2021/22 com 9,75 milhões de cultivados, incremento de 38% sobre a atual área de soja. Se atingirmos a meta,ainda teremos um estoque de 5,1 milhões ha para converter”.

MILHO – Outra variante que justifica a expansão de 22% da produção anual de grãos e fibras do Estado é o boom do milho, cultura que até o mês passado vinha sendo avaliada de forma conservadora pela Conab. Tanto o órgão federal quanto o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estão em linha na tendência de supersafra do cereal. Ontem, o Imea divulgou a revisão das projeções e elevou a estimativa de 11,70 milhões de ara 13,1 milhões e com intenção de uma correção para 13,5 milhões. Qualquer um dos volumes que vier a ser confirmado será recorde absoluto na série histórica local.

O levantamento da Conab mostra Mato Grosso como o maior produtor de milho de segunda safra no Brasil e que nesta temporada atinge a inédita participação de quase 38% da oferta brasileira na segunda safra. Neste nono levantamento, Mato Grosso tem previsão de colher 12,38 milhões de t, alta de te 7,25 milhões de t do ano passado. O Estado deverá ofertar 60% da produção do Centro-Oeste, que tem a estimativa de 20,75 milhões de t, 56% acima do que colheu no ano passado. O reflexo da expansão estadual e regional se reflete nos dados da segunda safra do país, que deverá crescer 53% em relação à safra 2011, passando de 21,48 milhões de t para 32,89 milhões.

BOOM – Conforme a séria histórica da Conab, o milho começou a ser utilizado como cultura de segunda safra na temporada 1991/92 como opção de rotação e cobertura de solo durante a entressafra da soja. Naquele ano foram semeados 35 mil hectares e colhidas pouco mais de 52 mil t. Em duas décadas, exatamente, a cultura saiu da periferia do campo para ser a vedete agrícola do ano em Mato Grosso e no Brasil. Comparando com a área coberta atual no Estado, 2,54 milhões de ha – 40% maior em relação a 1,83 milhão de ha da safra 2011 – há expansão especial de mais de 7.000%.

MAIS MT – Enquanto milho segunda safra, soja e algodão – culturas que o Estado lidera a produção nacional – registram em 2011/12 recordes de produção e de área cultivada, o arroz imprime sua maior queda. A cultura que já ocupou mais de 1,5 milhão de ha há 36 anos tem estimativa de cobrir 161 mil ha, a menor extensão da história e 37% inferior à superfície do ano passado. O recuo tem sido anual e vem sendo registrado desde que a abertura de novas áreas de plantio ficou proibida. Em Mato Grosso, tradicionalmente, o arroz é utilizado como cultura em áreas novas. No ano passado, a área cultivada somou 256 mil ha. A produção que somou 795 mil t está estimada em 514,6%, 35% menor.

diariodecuiaba

Responder

comment-avatar

*

*