Manifestantes desbloqueiam BR-158 após seis dias de protestos

Após seis dias de interdição, os manifestantes desbloquearam parcialmente a BR-158 na região do distrito de Estrela do Araguaia, próximo ao município de Alto Boa Vista, distante 1.064 km de Cuiabá. Eles protestavam contra a demora em resolver o impasse entre governo e indígenas, e pedem que 7 mil pessoas sejam retiradas da região onde antes ficava a fazenda indígena Suiá Missú.

Conforme a Polícia Rodoviária Federal, a liberação parcial da rodovia foi feita na tarde desta sexta-feira (29). “Depois de uma reunião entre os produtores rurais do distrito e os indígenas, eles decidiram pela liberação do local. Até porque, eles conseguiram agendar uma reunião com o governador”, explicou o inspetor Eloi Grison, da PRF.

O inspetor contou que os veículos de pequeno porte começaram a ser liberados para passar pela rodovia por volta das 14h. “Uma fila de veículos se formou depois de uma notícia errada de que a pista tinha sido bloqueada. Com isso, a gente conseguiu negociar com eles, pois já havia mais de 200 carretas na fila tentando passar”, detalhou o inspetor.

A liberação total da BR-158 só deve ser feita depois das 11h [horário de MT]. Isso porque uma equipe vai fazer a recuperação da rodovia que ficou um pouco danificada com o protesto. Depois disso, o fluxo de veículos será retomado normalmente.

O bloqueio
A interdição começou na madrugada do último domingo (24) e interrompeu o tráfego de todos os tipos de veículos na rodovia prejudicando a interligação com o estado do Pará e o abastecimento das cidades próximas à região. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os manifestantes chegaram a atear fogo em uma ponte e também bloquearam o acesso a estradas vicinais.

Impasse
A região de Estrela do Araguaia é ocupada em sua maioria por produtores rurais que permanecem em litígio com a Fundação Nacional do Índio (Funai) já que ocupam uma região reconhecida pelo governo federal como pertencente ao antigo aldeamento da etnia Xavante.

A Funai e o Ministério Público Federal (MPF) cobram a recuperação da terra com base em decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que reconheceu o direito de posse aos índios, que teriam sido retirados na década de 60 e levados para uma aldeia distante cerca de 400 km de Marãiwatsede e determinou a saída dos não-índios. Os fazendeiros, no entanto, permanecem no local por meio de recursos interpostos na tentativa de anular a decisão judicial.

De acordo com Renato Teodoro da Silveira Filho, presidente da Associação dos Produtores Rurais da área Suiá Missú, os manifestantes estão munidos de faixas e cartazes que pedem que as famílias continuem no local. “Aqui existem 800 casas, temos duas escolas, posto de saúde e inclusive eleitores. Nós somos uma cidade instalada”, explicou ao g1mt.

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