Manifestantes exigem reunião com presidenta

Bloqueio está no terceiro dia e caminhoneiros aglomeram-se no pátio do Posto da Mata
Garantia de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff e a vinda do presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região para a região da Terra Indígena Marãiwatsede, em Alto Boa Vista (1.065 km de Cuiabá). Estas foram às condições apresentadas ontem à Polícia Rodoviária Federal pelos moradores da localidade de Posto da Mata para o fim do protesto que há três dias mantém bloqueado o tráfego no entroncamento das rodovias MT-242 e BR-158.
Ontem, segundo integrantes do movimento, o número de manifestantes à beira das rodovias subiu para cerca de três mil e o clima é cada vez mais tenso.
“Um caminhão tentou furar o bloqueio e quase foi incendiado pela multidão. Está cada vez mais difícil controlar o pessoal por aqui”, afirmou o produtor Sebastião Prado, um dos porta-vozes do bloqueio.
Posto da Mata é um núcleo urbano encravado no coração da terra homologada para os índios da etnia Xavante. Em outubro, por determinação da Justiça Federal, será iniciada uma operação de retirada de todos os não-índios da área de 165 mil hectares.
Ontem, segundo Prado, um negociador da PRF tentou sem sucesso convencer os manifestantes a liberar o tráfego na rodovia federal. “Exigimos que antes seja assegurada uma reunião entre a presidente Dilma, o governador Silval e toda a bancada de MT”, disse.
Os manifestantes reivindicaram, ainda, a presença do juiz federal, Mário César Ribeiro, presidente do TRF da 1ª Região, no Posto da Mata. “Decidir pela desocupação em um gabinete de Brasília é muito fácil. Ele precisa vir até aqui para ter noção do que será feito.”
Ontem, em nota à imprensa, a APROSUM (entidade que reúne 800 produtores rurais da região) divulgou um relatório sobre os alvos da desintrusão: sete mil habitantes, 700 imóveis urbanos, 850 propriedades rurais, 98 estabelecimentos comerciais e 300 mil cabeças de gado.
Outra nota, desta vez por parte do Ministério Público Federal, afirmou ontem ser incorreto o entendimento “veiculado na imprensa” de que a ordem de desintrusão seria apenas “uma antecipação a decisão final”.
“As decisões que reconhecem a área como terra tradicionalmente ocupada pelo povo indígena Xavante de Marãiwatsédé, ainda que não transitadas em julgado, constituem decisões de mérito proferidas em 1º e 2º grau de jurisdição”, diz a nota.
A Procuradoria disse, ainda, que comunicou à Justiça Federal “a existência de quatro propriedades próximas à Terra Indígena que estão aptas a receber eventuais clientes da reforma agrária”.
“Paralelamente às medidas judiciais, o Ministério Público Federal vem atuando com vistas a evitar o acirramento do conflito na região e preservar a segurança de todas as pessoas presentes na área.”

Diario de Noticias

 

Responder

comment-avatar

*

*