Marinha será intimada a depor sobre naufrágio que matou 9 no Pantanal

Embarcação naufragou em 2008 e as causas ainda não foram descobertas.
Familiares das vítimas ingressam com ação por danos morais e materiais.

A Marinha brasileira deverá ser intimada pela Justiça Federal de Mato Grosso a prestar esclarecimentos sobre o naufrágio de uma chalana que matou nove pessoas em março de 2008 na região do Pantanal. A segunda audiência do caso, de instrução e julgamento, foi realizada nesta quarta-feira (14), no processo movido há dois anos por familiares de duas vítimas contra os donos da chalana e contra a Marinha. A assessoria do Comando do 6º Distrito Naval, responsável pela região onde ocorreu o acidente, informou que não foi notificada da decisão judicial.

Quatro pessoas prestaram depoimento na Oitava Vara da Justiça Federal e relataram que oficiais da Marinha realizaram inspeção um mês antes do naufrágio. Os relatos são de testemunhas arroladas pela defesa do proprietário da chalana, Semi Mohamed Said, que afirmaram que a embarcação chegou a percorrer o rio Cuiabá juntamente com oficiais que faziam a vistoria.

A advogada Sandora Fonseca ressaltou que as testemunhas são pessoas que moram na região, possuem embarcações e que acompanharam a reforma realizada na chalana à época. “Elas [testemunhas] foram concisas em declarar que houve verificação na embarcação por parte da Marinha, que nega ter feito o mesmo. Agora, os oficiais à época deverão ser oficializados pela Justiça para explicar os procedimentos à época”, disse aoG1.

De acordo com os familiares das vítimas que acionaram judicialmente os proprietários da chalana e a Marinha, a decisão de ingressar com uma ação na Justiça se deve à morosidade na conclusão do inquérito policial sobre o caso – comprometida pela impossibilidade técnica de se realizar uma perícia na embarcação naufragada.

No dia 10 de julho ocorreu a primeira audiência, quando três sobreviventes do naufrágio e os dois autores do processo foram ouvidos, além do empresário dono da chalana. Outras testemunhas também serão ouvidas por carta precatória, segundo a advogada. Após a conclusão dos depoimentos, o processo segue para as alegações finais.

Tragédia
Entre os mortos na chalana estão sete turistas e dois tripulantes. Para Ana Marlene Scarabottolo, a ação acaba consiste numa tentativa de se amenizar uma perda – no caso dela, do marido e de amigos. O advogado de acusação, Mauro Benites explicou que indícios apontam uma alteração estrutural como responsável pelo acidente na embarcação onde estava o marido de Ana Marlene e as outras oito pessoas.

Conforme relatos, no dia 9 de março de 2008 a chalana estava navegando pelo Rio Cuiabá em direção ao Rio Piquiri. Por volta das 4h, começou a naufragar. Os turistas estavam em suas cabines e os tripulantes dormiam em aposentos próximos à casa de máquinas da embarcação. A água então começou a entrar pela parte traseira do barco que, em seguida, inclinou-se e afundou no rio em cerca de 30 minutos. A chalana fazia a segunda viagem depois de passar por uma reforma geral.G1.MT

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