Médicos interessados em atender presos não chegam a 25% das vagas

Apenas 10 se inscreveram em processo seletivo para 41 vagas em MT.
Presidente do CRM avalia que função é arriscada e salário não é atrativo.

Somente 25% das vagas oferecidas para médicos do sistema prisional em Mato Grosso foram preenchidas até esta quinta-feira (16), a um dia do encerramento das inscrições para o processo seletivo. Conforme a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), a procura tem sido baixa e, por conta disso, é possível que o prazo de inscrições seja prorrogado. Para suprir o déficit de 41 profissionais, apareceram 10 candidatos a exercer a função nas unidades prisionais e socioeducativas do estado.

O processo seletivo busca escolher profissionais para a função de psiquiatra, clínico geral, ortopedista e ginecologista. O salário oferecido é de R$ 6.492,65, por 30 horas semanais. As inscrições podem ser feitas na Superintendência de Gestão de Pessoas do Núcleo Segurança, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá.

Em Sinop, a 503 km de Cuiabá, por exemplo, nenhum médico se candidatou para tentar ocupar uma das seis vagas oferecidas para atuar nas unidades prisionais do município, entre elas o Presídio Osvaldo Florentino Leite Ferreira, mais conhecido como ‘Ferugem’. Nessa unidade, são 19 profissionais da área da saúde para atender 719 detentos.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), Gabriel Felsky dos Anjos, um dos motivos da baixa procura é o salário ‘pouco atrativo’, de R$ 6,4 mi, enquanto o piso nacional definido pela Federação Nacional dos Médicos é de R$ 11 mil por mês, para o cumprimento de carga horária de 20 horas semanais. “A estrutura dos presídios é ruim, más condições de trabalho, insalubridade e o salário não é atrativo”, pontuou.

Penitenciária Central do Estado tem 56 detentos com tuberculose (Foto: Tita Mara/G1)Maior penitenciária do estado está entre as
com déficit de médicos (Foto: Tita Mara/G1)

Segundo ele, o salário é mesmo ofererido para atuar nos postos do Programa de Saúde da Família (PSF). “É muito mais interessante trabalhar nos PSFs do que nos presídios, já que o salário é mesmo”, frisou. Além disso, ele avalia que os profissionais ficam sob risco, “podendo ser feitos reféns dentro das unidade, já que lidam diretamente com os reeducandos, e ainda serem ameaçados”.

Os candidatos às vagas devem ser selecionados por meio de avaliação do currículo e análise de títulos. No ato da inscrição, o candidato deve apresentar cópias dos documentos pessoais, currículo e documentos que comprovem o grau de escolaridade e documentos para comprovar a titulação e os critérios de pontuação para desempate.

As vagas são ofertadas para unidades prisionais de Cuiabá, Tangará da SerraRondonópolis, Sinop, Água BoaPeixoto de AzevedoJuína e Pontes e Lacerda. A análise de títulos está prevista para ser feita entre 20 e 24 de janeiro. Já a publicação do resultado dos classificados deve ser realizada no dia 28 desse mesmo mês, no Diário Oficial do Estado.

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