Meningite transmitida por parasita avança no Brasil

A meningite eosinofílica foi diagnosticada 34 vezes no país nos últimos 8 anos. Principal vetor da doença no país é o caramujo gigante africano.

O caramujo gigante africano é bastante comum em jardins. Cuidado! (Foto: Thinkstock)

Um novo tipo de meningite, transmitido por parasitas, está se espalhando pelo país. Diferentemente das formas mais conhecidas da doença, virais e bacterianas, a chamada meningite eosinofílica é transmitida por um verme, o Angiostrongylus cantonensis. Desde 2006, ela já foi diagnosticada 34 vezes em seis estados brasileiros, nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste. Entre os casos, foi registrada uma morte. As informações foram reunidas num estudo publicado pela revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, que alerta para o avanço da doença no país.

O verme A. cantonensis costuma estar presente em crustáceos e moluscos. Segundo o levantamento, o caramujo gigante africano é o vetor mais frequente deste verme no Brasil. Os caramujos ingerem fezes de roedores contaminadas com larvas do verme. Quando se locomovem, liberam um muco, para facilitar seu deslizamento, que também contém larvas. As pessoas são infectadas ao ingerir esse muco. Isso pode ocorrer no consumo de legumes, verduras, e frutas mal lavados, por exemplo. Ou ao tocar em plantas e vegetais sujos e depois levar a mão à boca.

“O caramujo gigante africano está em todos os lugares: no quintal, na pracinha, nas ruas. Como está próximo (das pessoas), facilita o contágio. E já foi encontrado em todos os Estados, exceto no Rio Grande do Sul”, diz a bióloga Silvana Thiengo, chefe do laboratório de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz. Segundo a especialista, há formas simples de evitar o contágio, como lavar as mãos com frequência e deixar hortaliças e frutas de molho por 30 minutos em um litro de água com uma colher de sopa de água sanitária.

Os sintomas da meningite eosinofílica são semelhantes aos das outras formas da doença: dor de cabeça persistente, febre alta e, menos frequentemente, rigidez na nuca. A doença pode deixar sequelas como disfunção nos movimentos de braços e pernas, redução ou perda da visão e audição. O que permite diferenciá-las é o exame do liquor, líquido entre as meninges, extraído por punção lombar. O aumento de eosinófilos, que são células de defesa do organismo, é um sinal típico da infecção por parasita. O tratamento é feito com corticoides, a fim de reduzir a reação inflamatória.

“Os médicos não estão atentos a essa forma da doença, por falha de educação e de treinamento. Eles querem saber se a meningite é viral ou bacteriana e não prestam atenção aos outros agentes”, afirma o médico Carlos Graeff-Teixeira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Su (PUC-RS), um dos autores do artigo.  

 

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