Modelo de negócio no Vale do Araguaia recupera pastagens degradadas e traz ganhos para agricultores e pecuaristas

Toma lá, dá cá

A recuperação de pastagens aproxima agricultores e pecuaristas

A pecuária no Vale do Araguaia sempre encheu de orgulho os produtores locais. Há cerca de seis meses, no entanto, o que faz brilhar os olhos dos criadores do norte de Goiás e do sul de Tocantins é um projeto da Syngenta que pretende transformar pastagens degradadas em lavouras de grãos. De acordo com Cintia Souza, gerente de novos negócios da empresa, o pecuarista arrenda, no mínimo, 500 hectares de terra para o agricultor – que corrige o solo, aduba e faz o plantio de soja. A Syngenta, por meio de distribuidoras parceiras, fornece insumos e consultoria técnica. Com a colheita da soja, o capim volta a ser semeado – pode ser consorciado com milho safrinha ou girassol – e logo o gado retorna ao pasto recuperado. O ciclo pode durar quatro ou seis anos e ser renovado. No negócio, o agricultor não paga arrendamento no primeiro ano; no segundo, paga duas sacas por hectare; no terceiro, três sacas; e, nos anos seguintes, cinco sacas.

“O agricultor investe em torno de R$ 1.200 por hectare no primeiro ano. Depois, o valor cai, porque o solo já está corrigido”, diz Cintia. O criador, por sua vez, valoriza a propriedade, que chega ao final do contrato com o solo recuperado. Sem nenhum custo, segundo a executiva, ele também ganha na redução do tempo de abate do gado, de quatro para dois anos – os animais se alimentam melhor e engordam mais rápido –, e na quantidade de arrobas produzidas por hectare, que pode aumentar de 2 para até 12.

Na Fazenda Pontal, em São Miguel do Araguaia (GO), local do projeto piloto, Edison Vicentini conta o trabalho observado em 85 hectares de suas terras, que somam 18.000 hectares e 15 mil cabeças. “Não tenho dúvidas de que mais agricultores virão em busca de nossas terras.”

Uma bolsa de arrendamento, criada para cadastrar pecuaristas interessados nas regiões que o projeto abrange, já conta com 200.000 hectares de áreas degradadas com possibilidade de produção agrícola. Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Emerson Borgui, que acompanha os trabalhos em Tocantins, 60% dos 180 milhões de hectares de pastagens cultivados no Brasil estão degradados.

Hanny Guimarães, de São Miguel do Araguaia (GO) com redação CN

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