Momento grevista Norberto Schwantes‏

Saudações, internenautas do Canarana News!

Em nome do Sintep – Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público – e em nome dos professores da escola estadual Norberto Schwantes, venho fazer algumas colocações em relação aos colegas que retornaram ao trabalho, atitude que chamamos de “fura-greve”:

1º. Em hipótese alguma o Sintep ou os grevistas querem pressionar os colegas que voltaram ao trabalho a entrarem em greve novamente. O que nós queremos é entender porque o retorno e tentar argumentar para sensibilizá-los a nos acompanhar nessa jornada.

2º. Em nenhum momento, as nossas ações tendem a atitudes violentas, nem em Cuiabá pelo que todos podem ver nos noticiários, tão pouco teríamos aqui em Canarana, onde nos conhecemos e trabalhamos juntos, portanto, as relações que temos um com o outro é no mínimo de coleguismo. Nos deixou perplexos encontrarmos a nossa escola com os portões trancados, havendo um chamado para a polícia e outro para a imprensa, querendo resguardar a integridade física de quem se sentiu ameaçado. Sim, se sentiu, pois conforme dito acima, nossa manifestação é extremamente pacífica.

3º. Estamos no momento decisivo da nossa greve, porque o governo se sente extremamente pressionado com a paralisação maciça, histórica no Mato Grosso e no Brasil, e tão duradoura. Portanto não faz sentido, no momento final deste movimento, retornar às atividades. Se todos nós pensássemos como eles pensam (e não sabemos o que pensam, sinceramente), não haveria nenhuma vantagem em se fazer greve: já que em dois meses não conseguimos o que queremos, vamos retornar então! Jogamos fora estes dois meses de luta! Se é para atender a comunidade, estão lhes dando uma esmola funcional, atendendo apenas quatro turmas. Não penso no benefício que isto traz ao pais desses alunos, mas penso naqueles que não tiveram seus filhos convocados a retornarem para a sala! É justo uns terem aulas e outros não? Devemos nos lembrar que quando as atividades voltarem ao normal, estes que assistiram aula agora deverão esperar que os outros terminem o ano letivo de 2013 para retornarem a sala, pois o calendário é único. Então, senhores pais, não lhes estão fazendo favor nenhum, pois seus filhos ficarão em casa enquanto os outros cumprirão os 200 dias letivos garantidos por lei! Solicito aqui vosso apoio à luta da categoria! Falta pouco para chegarmos lá!

4º. É importantíssimo ressaltar para a comunidade que não fazemos greve apenas por melhorias salariais. Queremos escolas que possam atender melhor nossas crianças, adolescentes e adultos. Sabemos das condições nas quais nossos companheiros e companheiras de áreas rurais estão sujeitos para exercerem sua profissão. Nas áreas urbanas não é muito diferente. Tomem como exemplo Barra do Garças! Não temos na grande maioria das escolas da rede estadual quadra coberta. Durante a seca, tomem sol na cabeça, e durante a invernada, tomem chuva! Não temos piscinas, que proporcionaria um esporte que aciona membros superiores, inferiores além de trabalhar a respiração. Pistas de atletismo então… Basta que olhemos nossas classificações em olimpíadas! Vergonhosa!

5º. Comparativamente, o professor, pelo grau de escolaridade, é o que menos ganha no funcionalismo estadual. Um perito técnico ganha em torno de R$ 7.600,00. Mais do que o triplo de um professor! Nem vamos comentar sobre os funcionários do INDEA, SEFAZ, …

6º. Quanto às respostas nos dadas pelos colegas, de que retornaram ao trabalho porque querem, e que não se intimidaram pelas ações descabidas do Governo Estadual, e que desejam atender às necessidades da comunidade. Aqui faço alguns comentários:

Se não foi por pressão, porque retornar parcialmente? Porque querem trabalhar? Nós também queremos, mas com dignidade! A grande maioria de nós grevistas também tem filhos, e é exatamente pensando em dar um futuro melhor a eles e aos nossos alunos que mantemos a greve. Colegas, tentem manter um filho numa universidade, mesmo pública, num curso de medicina, por exemplo, com um salário que ganhamos! Medicina não é profissão para filho de professor hoje…

Se o objetivo é não aderir à greve, conforme uns disseram, porque nosso sindicato nada fez por eles quando precisaram, devo lembrar-lhes então de todas as vitórias já conquistadas no passado, que todos nós colhemos esses frutos hoje, sendo sindicalizados ou não, aderindo a greve ou não!

Se é para atender às necessidades da comunidade, como dito acima, não faz sentido algum por conta do calendário.

7º. Sabemos que o estado do Mato Grosso é um dos que tem a carga tributária mais alta da União, se não a maior, e já temos as projeções do impacto que causaria nossas reivindicações aos cofres públicos, e sabemos que é perfeitamente possível sermos atendidos. Devo lembrar que o estado não aplica os 35% da arrecadação fiscal na educação, que consta na Constituição Estadual, portanto lei descumprida, e que ainda a verba da SEDUC passa por um processo de desvio de finalidade, ou seja, entra e sai…

8º. Se idealizarmos, colegas não grevistas, nosso movimento como uma batalha, teremos que considerá-los como os mortos e feridos, atingidos pelas falácias do governador – falácias sim, porque não tem respaldo legal para cumpri-las – mas pelos quais lutaremos, lembraremos que após a vitória os mortos e feridos também são homenageados (até com honras!) pelos que de fato realizaram o feito. Assim será, colegas! Vocês receberão de nós os louros da vitória, ou seja, os benefícios que a greve nos trará! Espero ao menos um muito abrigado… Quimera um ato público de agradecimento!

Finalmente, devemos ressaltar que com um salário melhor fatalmente seriam atraídos bons profissionais para os cargos – não que não sejamos – trazendo um reforço para o nosso time!

Fica aqui o desejo que nossos objetivos sejam alcançados, que a comunidade compreenda e apoie nossa luta, e que nossos colegas que retornaram ao trabalho nos perdoe, mas não faz sentido algum esta atitude.

Me despeço de todos aqui.

Prof. José Ramos M. Neto

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