Na Grande Cuiabá, menores de 12 a 14 anos são principais vítimas de abuso

Em 2014, foram registrados 1.750 casos em Cuiabá e Várzea Grande.
Delegado diz que grande parte dos crimes acontece no ambiente familiar.

Adolescentes da faixa etária entre 12 e 14 anos são as principais vítimas de crimes sexuais em Cuiabá e Várzea Grande, região metropolitana da capital. Dados da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) apontam que 1.750 procedimentos foram instaurados pela polícia para investigações deste tipo de crime em 2014.

Os casos registrados no ano passado já ultrapassaram os índices de 2013, quando foram registrados 1.728 casos em Cuiabá. Segundo o delegado responsável, Eduardo Augusto de Paula Botelho, mesmo com um deficit de funcionários, a delegacia trabalhou arduamente. “A delegacia trabalhou muito mais do que o ano passado. Contamos com cinco servidores a menos. Se nós tivéssemos um efetivo igual ao de 2013, a produtividade seria muito maior”, afirmou, em entrevista ao G1.

O delegado aponta a relação de confiança como principal causadora dos abusos contra menores. De acordo com ele, a maioria dos crimes dessa natureza é praticada no âmbito familiar, em uma relação de amizade e confiança em que o suspeito se aproveita da proximidade para cometer o crime. Desse modo, os agressores estão no seio da família e são, na maioria das vezes, tios, primos, padrastos, vizinhos e até professores.

Período mais frequente
Com base nessa relação de confiança entre vítima e suspeito, os casos acontecem com mais frequência em finais de semana e ocasiões festivas, quando familiares e amigos estão reunidos. “Os pais começam a confiar em vizinhos e, em função dessa relação, as vítimas têm livre acesso à casa do suspeito e vice-versa”, explicou Botelho.

Cidades turísticas
Segundo o delegado, as cidades turísticas de Mato Grosso concentram muitos casos de abusos contra menores não somente por receberem grande número de visitantes, mas por serem locais onde há maior desigualdade social. “Infelizmente, no nosso país ainda impera a desigualdade social. E as pessoas que vão para essas áreas turísticas têm um poder aquisitivo mais abastado e acabam se aproveitando de adolescentes que não têm esse poder aquisitivo”, afirmou.

Porém, nesses casos, o delegado frisa que nem sempre as vítimas se atentam para isso e acabam mantendo uma relação de troca. “A maioria relata: ‘Poxa, ele me deu um presente, é meu amigo’; ‘Me levou num restaurante chique’; ‘No motel tinha espelho no teto e espumante’. Elas veem como alguém que está proporcionando uma condição de vida que não teriam naturalmente”, declarou.

Ele ressalta que em 2014 houve preocupação sobre o fato de Cuiabá ser uma das cidades sedes da Copa do Mundo, com expectativa de elevado número de visitantes circulando pela capital por conta do evento. Entretanto, o delegado pontua que a quantidade de ocorrências não foi grande nesse período e frisa que o receio foi superado pelo forte esquema de policiamento para o Mundial.

“A segurança contou com o reforço de policiais civis, militares, agentes federais e do Exército. Foi tudo bem executado e a preocupação no final das contas não se confirmou”, disse.

Conversa com os filhos
Para Botelho, a lição que se tira de grande parte dos casos que chega até a Deddica é de manter o diálogo entre pais e filhos. “Precisa-se manter uma relação a qual os filhos falem sobre qualquer assunto e não se sintam inibidos de conversar sobre temas considerados tabus”, afirmou. Em alguns casos, lembrou o delegado, os suspeitos intimidam as vítimas com ameaças, fazendo com que a pessoa não relate o abuso para os pais.

A delegacia cuida também de casos de lesão corporal, abandono intelectual, abandono material, maus tratos e abandono de incapaz. Porém, conforme relatou o delegado, os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes são as denúncias mais comuns que chegam à Polícia Civil. G1.MT

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