OAB denuncia humilhações e uso de gás em alunos do curso da PM em MT

Documento relatando as agressões foi entregue ao comando da PM.
Curso começou com 100 soldados e na atual fase tem apenas 30

Os soldados do curso de formação da Força Tática da Polícia Militar de Mato Grosso têm sido obrigados, pelos instrutores, a mastigar um pedaço de carne, passar para o próximo colega e o último ainda acaba sendo forçado a comer o alimento. A denúncia foi feita pela presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Betsey Miranda, ao comandante-geral da corporação, coronel Osmar Lino de Farias.

Miranda disse ao G1 que entregou o documento ao alto comando da PM cobrando providências para acabar com a violência contra os soldados do curso, que está sendo ministrado em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. “Um profissional formado nestas condições poderá se tornar um indivíduo violento”, declarou. Ela destacou ainda que caso não seja tomada uma providência, a denúncia será encaminhada ao Ministério Público Estadual (MPE) que poderá acionar o estado na Justiça.

Ainda segundo a representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB, os soldados também são colocados em quartos e submetidos aos efeitos de gases lacrimogênios e de pimenta, sem contar os exercícios que praticam até a exaustão e humilhações por meio de agressões verbais. A reportagem do G1 não conseguiu contato com a assessoria da PM até o fechamento desta edição.

A denúncia chegou até a OAB após um pai relatar as situações às quais o filho e os colegas têm sido expostos. No começo, o grupo era composto por 100 alunos e atualmente conta com apenas 30. “O que dá medo nos pais é ver seus filhos transformados em criaturas ferozes. Ensinamentos desta natureza criam seres que desconhecem limites e, via de consequência, acabam por enodoar a farda que vestem”, declarou Betsey de Miranda.

Morte de soldado
Betsey Miranda lembrou que cursos violentos podem resultar até em morte. Ela citou o caso do soldado da Força Nacional da PM de Alagoas, Abinoão Soares de Oliveira, que morreu após uma atividade física realizada, em abril de 2010, em Cuiabá. Ele participava de um curso de Tripulante Operação Multimissão, que visa capacitar profissionais da segurança pública para atuar em aeronaves de resgate, busca e salvamento, combate a incêndio e ocorrências policiais.

g1mt

Responder

comment-avatar

*

*