Pai se diz aliviado com separação de siamesas em GO: ‘Pulei de alegria’

Bebês de 5 meses têm estado de saúde grave e estão internadas em UTI. Operação das gêmeas baianas ocorreu em tempo recorde, informou hospital.

A família das gêmeas siamesas baianas que passaram por cirurgia de separação está aliviada com a realização do procedimento no Hospital Materno Infantil (HMI), em Goiânia. As bebês Júlia e Fernanda Neves, de 5 meses, estão internadas em estado grave, mas com quadro estável na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Cheguei a pular de alegria. A emoção foi grande. Aliviou tudo. Agora é vida nova, cuidar das minhas filhas, dar o melhor para elas”, disse o pai das meninas, o açougueiro Valdenir Neves.

A operação aconteceu na quarta-feira (13). As irmãs, que eram unidas pelo tórax e abdômen, compartilhavam o fígado e uma membrana do coração.De acordo com a unidade de saúde, entre as cirurgias de separação de siameses realizadas no hospital, esta foi a mais rápida. O procedimento durou menos de seis horas.
Estiveram envolvidos na operação mais de 20 profissionais, entre cirurgiões pediátricos, anestesistas, ortopedistas, médicos intensivistas, cirurgiões plásticos, cirurgiões vasculares, pediatras, enfermeiros, cardiologista, entre outros.

A primeira bebê a ser levada para a sala de pós-operatório foi Júlia, seguida da irmã, Fernanda. Elas respiram com ajuda de aparelhos e continuam sedadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica. Conforme o hospital, ainda não há previsão de alta para as gêmeas.

Julia e Fernanda tem estado grave mas estável após cirurgia de separação Goiânia Goiás (Foto: Divulgação/HMI)Julia e Fernanda têm estado grave, mas estável após cirurgia de separação  (Foto: Divulgação/HMI)
O cirurgião pediátrico Zacharias Calil, que liderou a equipe que realizou a operação, afirmou que as bebês ainda podem sofrer sangramentos ou infecções, mas não devem ter problemas futuros.

“Elas podem ter um desenvolvimento normal, serem adultos normais, gerar filhos, então tudo praticamente normal. Não tem nenhuma doença de base que, nesse momento, possa complicar a vida dela”, explicou o médico.

As irmãs, que eram unidas pelo tórax e abdômen, compartilhavam o fígado e uma membrana do coração. Elas nasceram em Itamaraju, no interior da Bahia. Por conta da condição delas, os pais, Valdenir Neves e Lindalva Nascimento de Jesus, decidiram seguir para a capital goiana, em agosto do ano passado, para obter a cirurgia de separação. Desde então, a família vivia na Casa do Interior.

Complexidade
O cirurgião Zacharias Calil, responsável pela cirurgia, destacou que as gêmeas precisavam passar pelo procedimento o quanto antes, já que Júlia, irmã um pouco maior, estava absorvendo os nutrientes da bebê menor, Fernanda.

Apesar da dificuldade de nutrição de uma das irmãs, Calil afirmou que o caso delas era menos complicado do que os gêmeos Arthur e Heitor, que passaram pela cirurgia de separação em fevereiro do ano passado. Eles eram unidos pelo tórax, abdômen e bacia e compartilhavam o fígado e a genitália. Arthur não resistiu e morreu três dias após a operação.

Conforme o médico, o caso de Júlia e Fernanda era similar à situação enfrentada pelas irmãs Maria Clara e Maria Eduarda, que foram operadas em setembro de 2015. Elas também eram unidas pelo abdômen e compartilhavam fígado e uma membrana do coração.

Referência
O HMI é considerado referências no parto, tratamento e separação de siameses em todo o Brasil. Em 14 anos, essa será a 16ª cirurgia de separação. De acordo com Calil, foram 27 casos acompanhados pela equipe do hospital nesse período.

O primeiro procedimento foi realizado nas gêmeas Raniela e Rafaela Rocha Cardoso, de 12 anos, que nasceram unidas pelo abdômen, passaram pela cirurgia e praticamente não ficaram com sequelas: “Nossa história é impressionante”, afirmou Raniela ao G1 em dezembro de 2014.

Cirurgião Zacharias Calil liderou equipe que realizou cirurgia Goiânia Goiás (Foto: Divulgação/HMI)Cirurgião Zacharias Calil liderou equipe que realizou cirurgia Goiânia Goiás (Foto: Divulgação/HMI)

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