Pasto seco e boi gordo em Mato Grosso

Não existe pasto milagroso. É com essa orientação que o zootecnista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural – Empaer, Antônio Rômulo Fava, alerta os pecuaristas de Mato Grosso, que estão prestes a enfrentar uma nova estiagem. De maio a outubro, o Estado enfrenta a seca e a escassez de pasto, porém, existem meios de alimentar o rebanho sem causar a perda de animais.

Fava explica que o pecuarista precisa compreender que pasto é uma cultura como a soja, arroz e algodão. As gramíneas absorvem nutrientes do solo, que devem se repostos com compostos químicos ou orgânicos. Um solo deficiente compromete o crescimento do pasto e reflete na alimentação das criações. “O solo se definha sem a adubação química. Um pasto, que suportava 4 cabeças por hectare, no outro ano, pode alimentar 2 cabeças”, ressalta.

Outro erro que o zootecnista aponta é a plantação de gramíneas inadequadas. O solo de Mato Grosso tem cascalho, é raso e com problemas de acidez. Para identificar o tipo de pasto ideal, ele reforça que a análise técnica é imprescindível. “O profissional tem que ir na propriedade e analisar o terreno. Nada de sentar na sala da fazenda e decidir tudo ali”, critica.

A plantação correta ajuda o produtor a enfrentar os tempos de seca. Uma das maneiras de garantir a alimentação dos animais é a partir da rotação de pastagem. O proprietário divide os pastos em pequenos terrenos, os piquetes, e calcula a quantidade de animal para pastar na área. “O gado deve ficar de dois a três dias em cada piquete. No revezamento, o terreno é adubado e irrigado e o rebanho retorna ao mesmo pasto após 30 dias”, explica.

Ainda há a técnica do banco de proteínas. Uma área é destinada para a plantação de leguminosas e receber os animais, no máximo, três horas por dia. Caso as leguminosas sejam cultivadas junto com o pasto, o rebanho não precisa ser remanejado do local. Outra opção é o pasto diferido, área que fica intacta durante o período chuvoso do ano. O terreno ganha vegetação abundante e alimenta os ruminantes durante a seca.

ALTERNATIVA
Conhecida como o “pão da terra”, a mandioca pode se transformar em ração para os animais. A produção da raiz chega a 40 toneladas por hectare no Brasil. “Ela é um carboidrato energético e pode substituir o milho, trigo, arroz, mileto e sorgo, na composição da ração”, destaca Fava.

Antes de fornecer a leguminosa como alimento é necessário identificar o nível de toxidade da mandioca. “Quando o animal come a planta, ao ser ingerida, libera o ácido cianídrico, que causa intoxicações”, explana o zootecnista. O envenenamento é causado pela substância linamarina, conhecida popularmente como “leite da mandioca”.

O procedimento correto é dar a mandioca para o animal um dia após da colheita e de deixá-las expostas sob o sol. As folhas, ramas e raiz perderão a acidez e estarão próprias para o consumo. A mandioca pode ser utilizada como farinha, feno ou consumida fatiada pelos bovinos.

Folha do Estado

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