Pescador vai virar piscicultor para reduzir a pressão sobre os rios

Uma reunião no próximo dia 17 no Ministério da Pesca em Mato Grosso na Superintendência Federal da Agricultura em Várzea Grande, vai dar novos rumos à atividade pesqueira no Estado, com o desencadeamento de um projeto cujo objetivo é levar milhares de profissionais que  sempre viveram da pesca extrativista a se transformarem criadores de peixes.
–  Chegou a hora do pescador profissional que vive do extrativismo começar a reparar o dano que causa ao  meio ambiente, devolvendo à natureza milhões de alevinos para repovoar nossos rios, baías, lagoas – afirma Lindenberg Gomes de Lima, presidente da Federação de Pescadores e Aquicultores de Mato Grosso, empolgado com as novas perspectivas para a pesca mato-grossense.
O projeto que vai ser discutido, e ao que  tudo indica aprovado na reunião, é ambicioso. Com a aprovação de recursos pelos agentes financeiros da pesca – Banco do Brasil e Banco da Amazônia e também pelo Ministério da Pesca – com o apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural – Empaer, serão criadas cooperativas de pescadores em polos regionais, com a agregação dos profissionais das 21 colônias de pescadores espalhadas pelo Estado.
As cooperativas, com o apoio da Empaer e outros órgãos governamentais envolvidos no programa de redenção da pesca no Estado,  vão avaliar a viabilidade econômica  de cada projeto para criação de peixes em açudes ou tanques redes em rios. Os próprios pescadores vão prestar serviços às cooperativas que vão administrar os laboratórios que serão montados nos polos regionais para fornecimento de alevinos aos cooperados, venda a terceiros e repovoamento dos cursos d’água de Mato Grosso.
Segundo Lindemberg até hoje o pescador profissional só retirou da generosa natureza o peixe nativo. Agora é a sua vez de devolver para rios, lagos, baías, através da soltura de  alevinos, tudo que ele explorou da natureza. Além de reparar os prejuízos que causou à ictiologia, com o repovoamento das águas o pescador vai devolver a Mato Grosso esse maná dos céus, aumentando a abundância de peixes nos rios  e alguns dos quais, como o dourado, estão ameaçados de extinção.
A transformação do pescador profissional em pequeno criador de peixes não quer dizer que ele deixará de exercer a atividade, mas vai diminuir a pressão sobre a pesca nativa. Além disso, o pescador vai se transformar num aliado da natureza, passando inclusive a cuidar de rios e de suas nascentes para alimentar seus tanques nos rios ou em terra mesmo durante o período de seca e preservar a pesca extrativista e a piscicultura.

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