Pescadores resistem em deixar barracos para as obras da Copa

Pelo menos duas famílias de pescadores que estão alojadas há 15 anos em barracos situados embaixo da ponte Júlio Muller, no lado de Várzea Grande, terão que deixar o local para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Afirmando não terem para onde ir, os pescadores resistiram à notificação de desocupar a área e se mostram dispostos a ficar no local.

Os pescadores foram visitados recentemente por técnicos da Secretaria de Assistência Social, Secretaria de Meio Ambiente, Defesa Civil e Guarda Municipal de Várzea Grande. Acomodados em barracos feitos com madeira e em situação de risco às margens do Rio Cuiabá, os pescadores criaram no local, uma espécie de ‘entreposto’, onde fazem vigília para cuidar das canoas. A alegação dos pescadores é que as canoas não podem ficar sem vigilância, já que ladrões costumam roubar o material.

“Não vamos deixar o local, pois se fizermos isso, perderemos nossas canoas”, argumentou o pescador Jânio França Campos que diz ser pescador profissional e que sobrevive da pesca no Rio Cuiabá. Mesmo depois de receber o alerta da Secretaria de Assistência Social de Várzea Grande, eles resistem em sair. Eles contam que se instalaram há alguns anos no lado várzea-grandense depois de terem sido expulsos do lado de Cuiabá.

Junto ao local onde estão os barracos, está sendo erguida parte da estrutura da duplicação da ponte Júlio Muller que receberá três faixas, sendo duas para o trânsito de carros e ônibus e a outra exclusiva para a via permanente do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Os pescadores terão mesmo que deixar o local para a continuidade das obras.

A resistência dos pescadores chamou a atenção da prefeitura que mandou averiguar. Uma vistoria realizada na manhã de terça-feira (08), por técnicos da Secretaria de Assistência Social, Secretaria de Meio Ambiente, Defesa Civil e Guarda Municipal de Várzea Grande, apurou a real situação dos supostos moradores embaixo da ponte sobre o Rio Cuiabá.

De acordo com o secretário de Assistência Social, Mariuso Damião Ferreira, que acompanhou pessoalmente os trabalhos de levantamento da situação dos ribeirinhos, ‘foi constatado que os pescadores não moram no local’.
O secretário afirma que o local é utilizado como alojamento com o objetivo de guardar as tralhas de pescaria dos próprios pescadores. Os técnicos apuraram ainda que, ‘a grande maioria dos pescadores que usam o local para guardar suas tralhas é de Cuiabá e todos possuem residência fixa, não se interessando pelos programas oferecidos pela secretaria de Assistência Social, disponibilizados às populações em situação de vulnerabilidade no município’.

Os técnicos da prefeitura de Várzea Grande prometeram elaborar um relatório detalhado do caso e fazer o encaminhamento para a Secretaria de estado de Meio Ambiente e para a Marinha do Brasil. Olhar Copa

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