Pesquisadora sugere plano de desenvolvimento para Canarana com destaque na área ambiental

Edelvais Oster Ritter

CANARANA – Na noite do dia 21/maio, quinta-feira, aconteceu no Sindicato Rural a apresentação de uma dissertação de mestrado pela economista Edelvais Oster Ritter. Seu estudo apresentou um plano de desenvolvimento para Canarana. Com nome ‘Estratégias para a busca da gestão de excelência – um estudo de caso no município de Canarana/MT’, o mestrado foi cursado junto a UFMT. Acompanharam a apresentação, representantes de entidades, do poder público e da sociedade. A base para a dissertação foi o PPA Canarana + 10 anos, um projeto de desenvolvimento do município para a próxima década, gerido pela Adecan, Acecan e Sindicato Rural.

Conforme Edelvais, Canarana tem um grande potencial ambiental e um projeto de desenvolvimento precisa dar destaque a este setor. O município é um dos que mais possui nascentes no Brasil, é por lei considerado o Portal do Xingu e aqui foram desenvolvidas técnicas de reflorestamento pioneiras. Canarana também é um município com economia majoritariamente agrícola. Portanto, é possível desenvolver e aprofundar estudos para desenvolver sistemas de produção sustentáveis, para que as gerações futuras encontrem motivos para se orgulhar dos pioneiros e seus descendentes, além de ter acesso à natureza com seus rios, fauna e flora. Edelvais é filha de pioneiros de Canarana e atualmente reside em Cuiabá/MT.

Para Edelvais, se Canarana não cuidar do meio ambiente, poderá não ter água para plantar ou criar gado, que por consequência vai afetar o comércio. “Quando temos um município com 2.750 nascentes e que alimenta a bacia do Xingu e a bacia Amazônica, e tem uma terra que é arenosa, provavelmente em uma década também teremos problemas com água, assim como já acontece no Sudeste. Para mim a questão ambiental é primordial. Canarana está classificada com vocação pecuária e agrícola. Eu não terei nem pecuária e nem agricultura se eu não tiver água. Em consequência eu não terei empresas vendendo implementes e não terei os outros segmentos do comércio e da indústria se desenvolvendo. Pela minha percepção, a água vem em primeiro lugar”, falou.

O produtor rural Oldair Sangalleti disse que se houvesse uma compensação financeira pelos serviços prestados de conservação de nascentes e florestas, o produtor teria mais um atrativo para desempenhar esse serviço. O presidente da Adecan, Dr. Márcio Paris, disse que Canarana deveria ser compensada com recursos da Usina de Bela Monte, pois as águas que geram energia na usina nascem aqui na bacia do Xingu, com boa parte em Canarana. Ele está articulando a cobrança desses recursos também para os municípios que ficam na bacia do Xingu do lado mato-grossense. A corretora Nilza Dias disse que ainda é um desafio tornar uma propriedade viável ambiental, social e economicamente. Para ela, a alternativa que no momento está trazendo melhores resultados sustentáveis é a integração lavoura/pecuária. Porém, ainda são necessários estudos.

Edelvais disse que a pequena propriedade naturalmente já dá pouca renda. “Então, se não achar maneiras de consorciar e não ser remunerado pelo que você faz em termos de preservação, você não vai ter renda nenhuma, e se tornará dependente do estado”. (Da Redação). JOPioneiro

Oldair (Sindicato); Dr. Marcio (Adecan); Dra. Lúcia (Acecan)

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