Pesquisas de historiadores de Canarana e Terra Nova vira livro

Entre os anos de 2005 e 2008, cerca de 20 canaranenses cursaram a faculdade de história, através de um programa de expansão da UNIC (Universidade de Cuiabá). Quatro anos depois, 2012, foi publicado um livro pelos professores Maria de Lourdes Fanaia Castrillon, Celio Marcos Pedraça e Luiz Rodrigues, intitulado “História & Memória”, utilizando pesquisas feitas durante as aulas pelos universitários. No mesmo período, uma turma cursou a mesma faculdade na cidade de Terra Nova do Norte, que por coincidência também foi idealizada por Norberto Schwantes. Eles também integram as pesquisas do livro.
Conforme a professora Maria de Lourdes, o livro traz histórias de migrantes sulistas em direção à região Centro Oeste. Homens e mulheres em movimento, em busca de um pedaço de terra onde pudessem viver, recriar suas crenças. Um pedaço de terra em que pudessem renovar os seus sonhos e revigorar suas esperanças, nem sempre atingidos.
Os artigos versam sobre várias experiências de vidas de personagens pouco menci-onados na história oficial, indicando variados significados que nos emitem sinais como gestos, costumes, emoções dúbias, que expressam satisfa-ções, decepções, risos, choros, saudades e lembranças.
O livro contribui com a historiografia matogrossense, escassa em obras nessa área. Durante o trabalho, os historiadores utilizaram de entrevistas, documentos pessoais dos entrevistados, além de arquivos da Fundação Pró-Memória. O livro traz uma fartura de documentos dos mais variados.
A obra, publicada pela EdUNIC, editora da UNIC, aborda História e Historiografia; O Universo Mítico E Ideológico Da Marcha Para O Oeste; Notícias Sobre O Vale Do Araguaia; Aspectos do Cotidiano Da Cidade de Canarana; Migrantes Na Região Do Xingu; Segurança Pública Em Canarana Nos Anos De 1972 A 1979; Canarana, Um Projeto De Colonização Sob A Ótica Feminina; e Terra Nova Do Norte: Uma Abordagem Histórica.
No tópico, Segurança Pública Em Canarana Nos Anos De 1972 A 1979, o entrevistado e pioneiro Augusto Dunck, disse: “Quando Canarana passou a se desenvolver mais, claro, vieram gente de todos os lugares e quando vem gente de todos os lugares, sempre vêm também, às vezes coisas boas e às vezes não. Mas no começo com certeza nós nos considerávamos seguros em Canarana, porque as pessoas em sua grande maioria vieram de um só lugar e havia um entrosamento entre a sociedade. Havia aquelas brigas em famílias e coisas. Estas questões muitas vezes eram solucionadas pelo padre ou pastor”.
Já o ex-prefeito Luiz Cancian, sobre o mesmo tema, falou: “Naquele tempo não existia proibição de armas. Então todos praticamente que vieram do Sul na época, eles tinham suas armas pra caçar… É claro que o cara que veio pro sertão do Mato Grosso, na época, dificilmente se encontrava alguém que não tinha arma em sua residência. Isso não significa que as pessoas andavam com armas na cinta ou no carro”.
De Canarana participam do livro os historiadores Ivo Beckmann, Cesar Groff, Simoni Reis, Clarissa Zenaro, Juliane Cecatto, Wander Pezzini, Rudimar Wahlbrinch, Julio Ferreira Lima, Terezinha Simon, Kely Fernanda, Gabi de Moura, Simone Oliveira, Leunicene de Moraes, Lizinete Fries, Rafael Govari, Francisco Fontenele, Luiz Pereira, Cenira dos Santos, Gilson Otero, Maria Aparecida, Januária Guimarães, Ana Lúcia e Michele Lehnen. De Terra Nova, Jack-Line Paola Toniazzo, Maria de Fátima Freire, Márcia Refosco, Neiva Kischener e Neusa de Camargo.
jopioneiro.

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