Péssimas condições da BR-158 travam acesso aos portos do Norte

Nesta quarta (05), a comitiva do ‘Estradeiro Aprosoja’ percorreu mais de 470 quilômetros ao longo da rodovia federal BR-158, no trecho entre Gaúcha do Norte (MT) a Redenção (PA). A rodovia funciona como uma espinha dorsal para o escoamento da produção agrícola e entrada de insumos da região do Vale do Araguaia, nordeste de Mato Grosso, e do sul paraense rumo aos portos do Norte, como o de São Luiz, no Maranhão.

Segundo a avaliação do diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, faltam aproximadamente 255 quilômetros para conclusão do asfaltamento da BR -158 em Mato Grosso. Os trechos são: 15 quilômetros entre Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, sentido o estado do Pará, antes da reserva indígena do Xingu; 185 quilômetros no contorno da reserva; e 55 quilômetros depois da reserva, no sentido do Pará.

Ainda seguindo pela rodovia, após a divisa do Mato Grosso com o Pará, até o município de Santana do Araguaia, há 119 quilômetros que precisam ser recuperados. E mais 193 quilômetros, de Santana do Araguaia a Redenção, ambas no Pará. Estes trechos estão em situação crítica, sem capa asfáltica e várias ‘panelas’ na pista. Há ainda quatro pontes de ferro, instaladas há décadas pelo Exército e que estão sem as mínimas condições de segurança.

A situação caótica da BR-158, a partir de Mato Grosso até o sul do Pará, foi constatada pelos integrantes da expedição organizada pela Aprosoja MT, em conjunto com o Movimento Pró-Logística, Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e outras entidades do setor produtivo. A iniciativa tem o objetivo de inspecionar as condições das estradas que dão suporte ao escoamento da produção de grãos mato-grossense e de outros estados do Centro-Oeste.

As péssimas condições de trafegabilidade da BR-158 colocaram em alerta a comitiva de produtores e, segundo o presidente da Aprosoja e do Movimento Pró-Logística, Carlos Fávaro, se não houver uma rápida e total recuperação da pavimentação da BR-158 os produtores não conseguirão ter acesso aos portos do Norte do país. “A vocação do Mato Grosso é escoar a produção pelo Norte, desafogando as rodovias e os portos no Sul do país”, afirmou Fávaro.

Além da BR-158, o presidente do Movimento Pró-Logística, destacou ainda que um trecho de 362 quilômetros na BR-155 até Marabá, no Pará, precisa receber melhorias, “Talvez até mais do que a BR-158”, reforçou Carlos Fávaro.

Por estas rodovias a produção poderá sair de Ribeirão Cascalheira, Mato Grosso, em direção a Marabá, no Pará, tendo acesso ao terminal multimodal da cidade e daí seguir por hidrovia no rio Tocantins até o porto de Vila do Conde ou Outeiro, no Pará, significando uma redução de custos de frete na ordem de R$ 35 a R$ 40 por tonelada.

“Atualmente, a rota utilizada é a do intermodal rodoviário-hidroviário e ferroviário, indo para São Simão, em Goiás, até chegar ao porto de Santos, em São Paulo. A BR-158, a BR-155, mais a hidrovia, beneficiarão toda região nordeste de Mato Grosso, o chamado Vale do Araguaia. Em um futuro não tão distante, esta região, no nordeste de Mato Grosso, deverá produzir 18 milhões de toneladas de grãos. O boom agrícola ocorrerá influenciado especialmente pela incorporação e uso de terras de pastagens em áreas agricultáveis”, destacou Fávaro.

O problema, segundo o presidente da Aprosoja, está na demora da execução de todas as obras necessárias, que só devem ficar prontas entre 2014 e 2015, devido a pavimentação entorno da reserva”, explicou Carlos Fávaro.

A lentidão nas obras é confirmada pelo presidente do Sindicato Rural de Redenção (PA), Afif Jawabri. Segundo presidente do Sindicato, o município conta com três vias de acesso: a BR-155, A BR-158 e a PA-257. “Todas estão em situação precária. Queremos trabalhar juntos com o Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, fortalecendo a articulação junto aos órgãos competentes. Buscando com isto agilizar e melhorar a qualidade das obras”, ressaltou Jawabri.

AGRICULTURA PODE MUDAR REDENÇÃO – O município de Redenção e redondezas possui áreas propícias à cultura da soja, com produtividade semelhante à Mato Grosso.  Na região já se planta soja há mais de dez anos, mas necessita de mais produtores. O forte ainda é a pecuária. “O que falta é agricultor aqui na região, pra trazer o desenvolvimento que a agricultura proporcionou a vários municípios de Mato Grosso”, disse Afif Jawabri.

Segundo ele a região esta vivendo o início de uma degradação química do solo, ou perda de fertilidade natural, devido ao uso de mais de 30 anos sem reposição de nutrientes, o que acarreta na queda de produtividade. “Quem tem condições de fazer o consórcio com a pecuária, melhorando a produtividade da nossa região, é a agricultura, sem contar que o dinamismo da agricultura é diferente da pecuária, e gera mais emprego e renda, movimentando a economia de uma cidade”, frisou Jawabri.

ESTRADEIRO – A comitiva já percorreu desde o deslocamento de Cuiabá a Primavera do Leste, até Redenção, no Pará, aproximadamente 1.700 quilômetros. Nesta quinta (06), o grupo de aproximadamente 20 pessoas segue por rodovia até Colinas, no Tocantins – onde inspecionará as condições de transbordo para modal ferroviário. Até o fim da expedição, que iniciou no dia 03 de setembro e deve encerrar no dia 08, devem ser percorridos mais de 3.770 quilômetros.

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