PF acha arma com registro vencido na casa do governador de MT

Pistola calibre 380 com licença vencida foi apreendida na casa de Silval.
Governador foi preso pela Polícia Federal e pagou fiança para ser liberado.

Governador Silval Barbosa deixou a sede da Polícia Federal após pagar fiança (Foto: Reprodução/TVCA)

O governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), foi preso em flagrante pela Polícia Federal por posse ilegal de arma de fogo, em Cuiabá, durante desdobramento da Operação Ararath, que investiga crimes financeiros e lavagem de dinheiro, nesta terça-feira (20). Ao G1, o secretário estadual de Comunicação, Marcos Lemos, informou que o governador possui uma pistola calibre 380 e que foi encontrada pelos agentes da Polícia Federal durante o cumprimento de buscas na residência de Silval. Porém, segundo o secretário, a arma teria registro, mas estaria com a documentação vencida. O governador foi liberado após pagar fiança.

“Dessa forma, o governador teve que vir à Superintendência da Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Ele [Silval] possui porte legal e o problema foi a data que está vencida”, frisou o secretário de Comunicação.

O governador já deixou a sede da Polícia Federal, onde ficou por cerca de quatro horas. Na saída, no entanto, não falou com a imprensa.

“A polícia não chamou o governador para prestar esclarecimentos sobre isso [Operação Ararath]. Ele foi conduzido para prestar esclarecimentos com relação à questão da arma que ele mesmo apresentou para a polícia. Não tem nada em relação à operação. Ele apresentou os documentos da arma. O delegado recebeu os documentos e visualizou que a questão do registro estar vencido não era do conhecimento do governador”, declarou o advogado Ulisses Rabaneda, logo após a saída do governador da Superintendência da Polícia Federal.

Operação Ararath
A Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Ararath e cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas do deputado estadual José Riva (PSD), do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo Almeida, do prefeito Mauro Mendes (PSB), além do governador Silval Barbosa. O gabinete do prefeito também foi alvo da operação, como ainda o gabinete de um promotor de Justiça, no Ministério Público Estadual (MPE). A operação foi deflagrada para investigar crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Os agentes federais também foram até a sede da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), no Centro Político Administrativo, e recolheram documentos. O ex-secretário de fazenda, Éder Moraes, que também foi secretário-chefe da Casa Civil e diretor da antiga Agecopa (antiga Agência de Execução de Projetos da Copa) atualmente Secretaria Extraordinária da Copa, foi preso na operação. Detalhes da ação ainda não foram divulgados, pois, segundo a Polícia Federal, há uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede a divulgação de dados referentes ao cumprimento dos mandados.

O advogado de Éder Moraes, Fábio Lessa, afirmou que seu cliente seria conduzido a Brasília, onde deverá prestar depoimento. A ex-secretária de estado Janete Riva, mulher do deputado José Riva, disse ao G1 que os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do casal, no Bairro Santa Rosa, e confirmou também que há um mandado de prisão contra o parlamentar. A defesa do deputado disse que está tomando conhecimento da operação para depois se pronunciar sobre o caso e não confirmou a prisão.

Depoimentos
Pela manhã, empresários e advogados também estiveram na Polícia Federal para prestar depoimento. Um dos empresários que esteve na Polícia Federal para depor foi Ricardo Neves. O advogado dele, Ricardo Monteiro, disse que o empresário foi chamado para depor devido a um empréstimo feito junto a um banco. Monteiro explicou que o empréstimo foi feito para a compra de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) localizada na região da Serra de São Vicente.

O empresário Altevir Magalhães, dono de uma rede de supermercados, também esteve na Superintendência acompanhado do advogado Jackson de Sousa. “Ele foi chamado para prestar depoimento porque há alguns anos fez um empréstimo de R$ 1,4 milhão em um banco. Foi um empréstimo legal. Comprovamos que o dinheiro entrou e saiu da conta de forma legal”, disse o advogado.

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