PF deflagra 6ª fase da Ararath e cumpre 5 mandados de busca em MT

Operação apura crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Mandado foi cumprido no apartamento de candidato a deputado estadual.

Gilmar Fabris se recusou a falar com a imprensa após ação policial. (Foto: Renê Dióz / G1)

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (26) a 6ª fase da Operação Ararath, que tem como alvo um suposto esquema de transações financeiras clandestinas que teriam movimentado pelo menos R$ 500 milhões desde 2005 no estado. Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos por 20 agentes federais, sendo dois mandados em Cuiabá e três na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Foram apreendidos documentos e dispositivos de informática, cujo conteúdo agora deve ser analisado nas investigações. A PF não chegou a conduzir qualquer pessoa para depoimento, segundo informou a assessoria de imprensa.

Os mandados judiciais foram expedidos pelo juiz federal Jeferson Scheider, da 5ª Vara Federal de Mato Grosso, que atua no caso desde o íncio das investigações. Um dos mandados foi cumprido no apartamento do suplente e candidato a deputado estadual Gilmar Fabris (PSD), em Cuiabá.

Operação Ararath (Foto: G1.com.br)

Entretanto, a PF preferiu não informar detalhes da operação. O delegado da PF responsável pelo caso, Wilson Rodrigues, recusou-se a revelar os nomes das pessoas investigadas ou a dar informações sobre as diligências realizadas alegando sigilo sobre as investigações.

A equipe de reportagem também tentou falar com o candidato Gilmar Fabris sobre o assunto, logo após a ação da PF, mas ele se recusou a dar entrevista. Abordado pela imprensa do lado de fora de seu edifício em Cuiabá, ele chegou a tentar impedir uma câmera de filmá-lo colocando a mão sobre a lente. A poucos metros de seu edifício, Fabris adentrou na casa em que funciona seu comitê de campanha. Ele se recusou a responder as perguntas.

Após alguns minutos, saiu de lá dentro de um veículo, novamente recusando-se a falar com as equipes de reportagem no local. Os funcionários do comitê se negaram a fornecer contatos da equipe de comunicação do candidato. Procurado, o advogado de Fabris disse à reportagem que ainda não obteve informações sobre a operação.

Operação Ararath
No âmbito das investigações da operação Ararath, quatro pessoas já respondem a uma ação penal proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) e ainda estão em trâmite 13 inquéritos policiais, segundo o órgão.

O ex-secretário de Fazenda Éder Moraes (PMDB), sua esposa Laura Tereza da Costa Dias, o superintendente regional do BicBanco em Mato Grosso, Luiz Carlos Cuzziol, e o ex-secretário-adjunto de Fazenda Vivaldo Lopes (em um processo que acabou sendo desmembrado) são réus no processo em tramitação na Vara Federal. O processo deve atingir fase de sentença em breve.

A última fase da operação havia sido no dia 20 de maio, quando Éder Moraes e o deputado estadual José Geraldo Riva (PSD) foram presos mediante mandados judiciais. Os dois estão em liberdade. Conforme a denúncia do MPF, em benefício de um grupo político com representantes da cúpula dos poderes Executivo e Legislativo de Mato Grosso, o esquema funcionava para os mais diversos fins econômicos e políticos com base em empréstimos ilegais.

Parte desses empréstimos era operada pelo empresário Gercio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça. Investigado, ele passou a colaborar com a PF e o MPF na condição de delator premiado.

Planilha
Uma planilha apreendida pela Polícia Federal (PF) na residência de Éder Moraes (PMDB), e constante do inquérito que tramita na Justiça Federal, sugere que o esquema investigado teve o envolvimento de Fabris, dois deputados estaduais, um ex-deputado e um prefeito, além de apontar para a suposta ligação do senador Blairo Maggi (PR) e do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Alencar Soares, com os indícios de crimes financeiros. O documento foi apreendido pela Polícia Federal durante uma das fases da operação Ararath e todos os citados negaram qualquer relação com os esquemas investigados.

Na planilha apreendida são mencionados um apelido e iniciais que a Polícia Federal interpretou como os nomes dos envolvidos.

Investigado
O suplente Gilmar Fabris já foi indiciado pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema fraudulento de emissão de cartas de créditos de direitos trabalhistas que teria começado em 2008 em Mato Grosso. Segundo a polícia, o grupo teria desviado dos cofres públicos R$ 500 milhões do estado e o caso ficou conhecido como “escândalo das cartas marcadas” G1.MT

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