Polícia Federal captura em Mato Grosso boliviano apontado como “Senhor das Armas”

Foi preso em Cáceres o boliviano Heber Carlos Barbieri Escalante, 32 anos, conhecido na área de fronteira como “Senhor das Armas”. Ele foi surpreendido quando chegou à cidade brasileira indo diretamente à sede da Delegacia de Policia Federal para carimbar o passaporte de entrada. Na checagem os agentes descobriram que havia contra o estrangeiro um mandado de prisão expedido pelo juiz federal Luiz Antonio Zanlucca, titular da 1ª Vara Federal de Sorocaba-SP, sob acusação de tráfico internacional de entorpecentes.
O decreto de prisão é parte das investigações coordenadas pela Delegacia Federal de Sorocaba, que em 7 fevereiro passado efetuou a apreensão de 400 quilos de pasta de cocaína. Um dos envolvidos foi preso e na apuração chegou-se ao nome de Heber Escalante como um dos chefões da organização criminosa. Além de prática  de entorpecentes, Escalante  introduz armas  em território brasileiro provenientes da ‘zona livre de tráfico’ da Bolívia.
Embora jovem, o boliviano  é apontado como um dos principais negociadores de armas pesadas com grupos criminosos brasileiros como o Primeiro Comando da Capital,  o PCC de São Paulo e com o Comando Vermelho (CV), dos morros do Rio de Janeiro.
 Heber nasceu em San Mathias, mas tem domicílio em Santa Cruz da la Sierra, principal cidade da Bolívia, depois de La Paz. Ele seria um dos mais influentes criminosos nessa atividade, responsável, de acordo com fonte da PF, pela remessa de grandes quantidades de armas pesadas e de munições que abastecem as facções criminosas do eixo Rio/São Paulo.
No aparelho celular do boliviano, também apreendido havia cenas gravadas com seus compatriotas sequestrados pelos seus comparsas que imploravam por resgates. Os vídeos revelaram ele intimidando os reféns e ameaçando parentes dos mesmos com pedido de resgate em dinheiro.
Como havia “informes” no meio policial que ele poderia ser resgatado, a frágil Cadeia Pública de Cáceres, foi providenciado sob escolta especial a remoção de Heber Carlos para um presídio de segurança máxima no interior de São Paulo. Porém, por medida de cautela, o local não foi revelado a imprensa.
Enquanto está sob a custódia da Justiça brasileira, a PF investigará a sua participação na remessa de pasta base de cocaína, apreendida no dia 7 de fevereiro entre os municípios paulistas de Porto Feliz e Sorocoba, e também,  principalmente, sobre as denúncias que o apontam como um dos maiores negociadores de armamento  com bandos organizados no Brasil. Daí a derivação de seu apelido “Senhor das Armas”. Há gravações autorizadas que revelam os contatos dele com líderes de facções brasileiras acertando a compra e entrega de armas e munições.
A prisão de Heber foi possível depois que a aeronave bimotor procedente da Bolívia entrou no espaço aéreo brasileiro com o carregamento de drogas e depois de uma pane fez pouso forçado num canavial em Porto Feliz-SP, quando o grupo que dava apoio tentava fugir com a droga foi abordado pela PF.Os ocupantes do carro reagiram à voz de prisão, houve troca de tiros e um deles ficou ferido e está preso; os outros fugiram, inclusive o piloto.
Na época, o delegado Roberto Boreli Zuzi, chefe da PF em Sorocaba, segundo nota atribuída a ele na imprensa, teria dito que a pasta base seria oriunda do Paraguai, mas no decorrer das investigações descobriu-se que tinha vindo da Bolívia, e de Heber Carlos, o Senhor da Armas, um dos donos do entorpecente. Tanto a PF em São Paulo quanto em Mato Grosso investigam ainda as ramificações da quadrilha de Heber na área de fronteira, não estando descartada ainda a prisão de mais pessoas com residência em Cáceres, Mirassol e Pontes Lacerda, principamente pilotos de aeronaves. 24 Horas news

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