Porto Alegre: Civil desarticula quadrilha acusada de homicídios e fraudes em terras

Homicídios motivados pela posse fraudulenta de terras e ameaças de morte a um delegado de polícia, uma vereadora e uma gerente de banco são algumas das ações criminosas praticadas pela quadrilha, desarticulada nesta segunda-feira (02.12), na operação “Liga da Justiça”, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), nas cidades de Barra do Garças, Porto Alegre do Norte e Confresa, para cumprimento de 19 ordens judiciais, sendo oito mandados de prisão temporária e 11 busca e apreensão.

Nove membros da organização criminosa foram presos, sendo oito em cumprimento de mandado de prisão e um em flagrante por posse irregular de arma de fogo. O grupo é acusado de crimes de falsificação de documentos particular e público, falsidade ideológica, fraude processual, esbulho possessório e homicídios.

O último integrante da quadrilha foi preso á tarde, em Porto Alegre do Norte, em cumprimento de mandado de prisão. “100% dos alvos com prisão decretada presos”, disse a delegada do GCCO, Cleibe Aparecida de Paula.

Entre os investigados estão um ex-servidor do cartório de registro de imóveis de Barra do Garças, um oficial de justiça, dois policiais militares aposentados, mandante e executores do duplo homicídio, falsificadores de documentos, dois corretores de imóvel, posseiros, beneficiários das fraudes e um escrivão de justiça. Os nomes serão preservados para não atrapalhar o andamento dos inquéritos policiais. Ao todo são 10 inquéritos policiais, sendo 9 em Porto Alegre do Norte e um no GCCO.

As investigações iniciadas em Confresa (1.160 km a Noroeste) e repassadas a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), em Cuiabá, identificaram que a quadrilha agia na falsificação de matriculas de escrituras de terras para obtenção de financiamentos milionários com uso de nome de diversas pessoas e para manter o “negócio” chegou a cometer quatro homicídios na região.

O delegado regional de Confresa, Ronan Gomes Villar, disse que a organização criminosa vem agindo na região há muitos anos, cometendo diversas fraudes e vitimando donos de áreas rurais. “Essas pessoas foram investigadas pela Polícia Federal e continuaram falsificando documentos”, afirmou.

De acordo com as investigações comandadas pela delegada do GCCO, Cleibe Aparecida de Paula, a quadrilha também tem ligação com crimes de homicídios qualificados e esbulho possessório de áreas rurais- ato pelo qual uma pessoa perde a posse de um bem forma forçadamente, sem qualquer direito sobre a coisa que legitime o seu ato. É crime de usurpação.

As investigações iniciaram com o duplo homicídio que vitimou os funcionários da fazenda Manoel Divino Pereira da Silva e Janio Correa de Araujo, no dia 21 de setembro de 2011. As vítimas passavam de motocicleta pela estrada de acesso a Fazenda “Mata Azul”, no município de Confresa, quando foram alvejadas por armas de fogo.

O inquérito policial, inicialmente instaurado em Confresa, foi transferido ao GCCO após a Polícia identificar que o motivo das mortes seria disputa de um pedaço da propriedade rural.

A mesma fazenda, em 14 de maio de 2010, teve ajuizada ação de interdito proibitório (visa repelir algum tipo de ameaça à posse de determinado possuidor) por parte da empresa Transcarmo Agropecuária em desfavor de dois alvos da operação.

Antes mesmo de a Polícia Civil identificar a motivação dos homicídios, o delegado de polícia, à época, em Confresa, sofreu ameaças por conta das investigações também sobre ameaças a uma vereadora de Porto de Alegre do Norte, que teve uma área de terra usada nas fraudes. A gerente de um banco de Porto Alegre do Norte também sofreu ameaças para liberação de um financiamento e pediu transferência da região.

A organização é conhecida nas regiões como “Liga da Justiça” por contar com influência no apoio e execução das atividades ilícitas de servidores do Executivo e do Judiciário. “Essas pessoas têm facilidades em diversos lugares, órgãos. São muitos organizadas”, disse a delegada Cleibe Aparecida de Paula.

Vários documentos e computadores também foram apreendidos durante a operação, além de 4 armas de fogo e munições.

Financiamentos

Segundo informações repassadas a Delegacia de Confresa, 373 matrículas de propriedades rurais foram falsificadas pela organização criminosa para obtenção de financiamentos bancários. As matrículas eram obtidas com uso de documentos falsos junto a cartórios de registro de imóveis, principalmente em Barra do Garças, além de municípios da região como Porto Alegre do Norte, Vila Rica, General Carneiro e até nos estados de Goiás e Tocantins.

Em um dos financiamentos fraudulentos a quadrilha usou a matricula de um terreno em Barra do Garças para forjar matricula de uma área de 25 hectares em Porto Alegre do Norte, pela qual conseguiram dois empréstimos, um de R$ 314 mil no Banco do Brasil e outro de R$ 316 mil no Bradesco.

No início de novembro, a quadrilha tentou obter um financiamento de R$ 30 milhões junto a uma instituição financeira do Estado de São Paulo. O golpe foi descoberto e duas pessoas forma presas no dia 14 de novembro por uso de documentos falsos e tentativa de estelionato.

O golpe junto ao banco paulista consistia na liberação de Certificados de Direito Creditórios do Agronegócio (CDCA), no valor de R$ 30 milhões, firmado por meio de instrumento de compartilhamento de garantia, a qual o contrato exigia entre as documentações da fazenda, o registro do imóvel no cartório da região. Para adquirir os documentos junto ao cartório, os estelionatários deram entrada do pedido usando documentos falsos de um suposto dono de uma fazenda. Olhar 21

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