Prefeito teme problemas sociais em cidade de MT após corrida por ouro

Jazida perto de Pontes e Lacerda tem atraído pessoas de outros estados.
MPF pediu fechamento de garimpo e estado ainda avalia forma de intervir.

MPF busca fechar garimpo na Serra da Borda. (Foto: Júlio Cesar de Souza/Arquivo pessoal)

A 18 km do centro urbano de Pontes e Lacerda (cidade a 483 km de Cuiabá), a jazida de ouro que tem atraído garimpeiros da região e até de outros estados tornou-se foco de preocupação em níveis municipal, estadual e federal. Enquanto o Ministério Público Federal (MPF)tenta assegurar o fechamento do garimpo ilegal na Justiça, o governo estadual avalia formas de intervir contra danos ambientais e problemas de segurança pública. Por sua vez, o prefeito Donizete Barbosa (PSDB) declarou nesta quarta-feira (14) temer que o caso saia do controle e provoque danos sociais.

O garimpo foi aberto na Serra da Borda, uma área de proteção permanente (APP) entre dois assentamentos. Uma estrada que liga a parte norte da cidade de Pontes e Lacerda à região oeste leva até a região de garimpo contornando a serra ou em ligação com uma estrada vicinal. Há mais de uma semana há cerca de 1,5 mil ou 2 mil pessoas por dia acampadas ou em atividade na extração de ouro – a qual é ilegal, segundo o MPF, por não estar sendo executada mediante autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

De acordo com o prefeito de Pontes e Lacerda, até o momento a corrida pelo ouro tem refletido de forma positiva no município, aumentando a demanda por acomodação nos hotéis e hospedarias, por combustíveis nos postos e por mantimentos nos mercados. Entretanto, Barbosa crê que a chegada de mais “forasteiros” de estados vizinhos ou de outros países tem potencial para desequilibrar o cenário até agora pacífico no garimpo e nas imediações.

Até agora, segundo o prefeito, 70% das pessoas que estão no garimpo são famílias de Pontes e Lacerda e região, as quais não correm qualquer risco de vulnerabilidade social se o garimpo vier a fechar – ao contrário das pessoas que já começaram a chegar atraídas pelo ouro vindas de estados como Maranhão, Rondônia, Pará e Amazonas ou até de outros países, como o Suriname.

“O ônus ainda não começou a aparecer. Eu creio que ele começa a aparecer com a chegada do migrante, essa pessoa que vem de fora, esse forasteiro. O patrimônio dele ele carrega nas costas, dentro de uma bolsa. Então, esse personagem acho que é ruim para a nossa região”, explicou o prefeito.

Pepitas de ouro foram pegas em garimpo (Foto: Júlio Cezar Ferreira de Souza/ Arquivo pessoal)Pepitas de ouro extraídas de garimpo ilegal.
(Foto: Júlio Cezar de Souza/ Arquivo pessoal)

“Essa é a minha preocupação: que isso se torne um problema social. Hoje, lá dentro, tem idosos, crianças, jovens, adultos, mas não são garimpeiros. Agora, com a chegada das pessoas de fora, e com essa intervenção federal [pedida pelo MPF à Justiça Federal], pode acontecer um caos. Quem é da cidade, tem suas acomodações. E quem não é? Se forem tirados de lá, para onde vão?”, questionou o prefeito.

Intervenção e monitoramento
Devido à ausência de autorização do DNPM, a extração de ouro na Serra da Borda é apontada como ilegal pelo MPF, que pediu na última terça-feira à Justiça Federal a determinação de uma intervenção para retirar os garimpeiros da área com uso de força, se necessário. A Justiça ainda não se manifestou a respeito do pedido.

Nesta quarta-feira, o prefeito de Pontes e Lacerda tratou do problema com o governador Pedro Taques (PSDB). De acordo com o governo, os aspectos ambiental e de segurança pública da situação do garimpo estão sendo monitorados para uma intervenção estadual, mas os detalhes do plano de ação não devem ser divulgados. G1.MT

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