Presidente do Sindicato já fala em 300 mil hectares com soja

Nunca vislumbrei, em 34 anos que moro em Canarana, um cenário tão positivo como esse”. Essa colocação é do presidente do Sindicato Rural de Canarana, Arlindo Cancian. Ele concedeu entrevista ao J. O Pioneiro e falou também dos trabalhos do Sindicato Rural e do futuro da agropecuária em nosso município.

Arlindo assumiu no mês passado a presidência no lugar do ruralista Marcos da Rosa, que ficou com a vice-presidência. Hoje o Sindicato Rural de Canarana é um dos mais estruturados do Mato Grosso. Tem 258 agropecuaristas associados, um espaço amplo e moderno onde fica a sede, além de uma diretoria atuante.
Todas as noites de segunda-feira acontecem as reuniões com a participação da diretoria e associados. São discutidas ações que beneficiam os produtores. Quando a demanda é de âmbito estadual, as informações são levadas para a Famato (federação), que engloba também a Acrimat (pecuária) e a Aprosoja (soja). “A equipe está bem sincronizada”, falou Arlindo.
         Segundo o presidente, o sistema Famato é hoje o mais estruturado do Mato Grosso, com grande peso econômico e político trabalhando em prol do produtor, o que não acontecia há alguns anos. “Se a situação tá ruim mesmo tendo o sindicato, pior estaria sem ele. Não adianta o produtor reclamar lá fora, ele precisa participar das reuniões e somar”, colocou.
A sede do sindicato também tem recebido melhorias. Conforme Arlindo, ele é um espaço moderno para que o produtor se sinta bem acomodado, participando das discussões, trazendo ideias. Em breve as salas do piso superior do prédio também serão reformadas. A princípio, serão utilizadas para a realização de cursos através do SENAR.
Mas o que mais anima Cancian e muda o seu semblante, é o aumento da área plantada em Canarana. Falando com entusiasmo, Arlindo acredita que a área plantada de soja saltará de 153 para mais de 200 mil hectares nesta safra que se inicia. E mais, ele acredita que em 03 anos, esses números ultrapassarão os 300 mil hectares facilmente.
Aumento da população mundial. Crescimento econômico da China e da Índia. Uso da terra pra produzir energia. Terra aberta e que pode ser convertida para agricultura. Tudo isso faz com que o cenário seja positivo para os próximos anos. Por isso a colocação otimista do presidente que abriu o relato desta matéria.
Arlindo acredita que além do crescimento da área de soja e também de milho segunda safra, a construção da MT-020 ligando Canarana a Paranatinga é mais um fator que poderá então, finalmente, atrair indústrias para Canarana. “Teremos produção e logística para a instalação de indústrias”, opinou.
Mas se o crescimento só traz benefícios, ele também está criando alguns gargalos. Canarana precisará de pelos menos mais três grandes armazéns nos próximos anos. Na colheita do ano que vem acredita-se já em falta de armazéns para 50% da produção e fila na descarga dos caminhões. O frete, que já está aumentando por conta da nova lei do caminhoneiro, tende a ficar mais caro ainda.
O aumento da área plantada se dá porque o produtor acredita na rentabilidade do setor. Mas ela não é na proporção em que as pessoas pensam. Segundo o presidente, mais de 50% da produção da próxima safra de Canarana, já foi vendida ao preço médio de R$ 43,00. Assim, o produtor não aproveitará os preços de hoje, acima de 60 reais a saca.
A venda antecipada da soja se deu porque o produtor hoje está mais cauteloso. Ele prefere ganhar menos, mas ter segurança no negócio, do que arriscar ganhar mais, mas perder no final. “Hoje a nossa atividade não tem espaço para aventureiro e aqui em Canarana o produtor é bem estruturado”, falou Cancian.
Para finalizar, o novo presidente do Sindicato Rural deixou um recado de alerta aos produtores, para que estejam atentos quanto ao aparecimento da ferrugem asiática, não postergando a aplicação de fungicidas, visto que o fungo permaneceu em muitos pés de soja guaxa que não foram eliminados durante o período da seca.

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