Produtor indica queda de 90% na colheita do pequi em Mato Grosso

Planta nativa do cerrado, o Pequi (Caryocar brasiliense) é utilizado para reflorestar áreas degradadas na Baixada Cuiabana. A pesquisadora da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Lozenil Carvalho Frutuoso, estuda há mais de 10 anos, o comportamento de espécies frutíferas oriundas da região Centro-Oeste. O fruto do pequi pode germinar entre 25 dias a 12 meses, considerado de difícil germinação é multiplicado no viveiro de mudas nativas da Empaer. Com a falta de chuva, redução pode chegar até 90% na produção de pequi no Estado.

O pequizeiro floresce durante os meses de agosto a dezembro, a maturação do fruto em Mato Grosso é tardia, começando em janeiro e encerrando em março. O produtor rural, Duílio Maiolino Filho fala que o fruto do pequi esse ano terá baixa produção, devido à chuva que chegou um pouco tarde no ano de 2011. Ele explica que a produção em sua propriedade foi toda colhida e a florada foi baixa, diferente dos anos anteriores. “Nunca vi nada igual, tive baixa produção com o pequi e também com outras frutíferas”, ressalta Duílio

Normalmente uma árvore de pequi produz em média dois mil frutos por colheita, e começa a produzir no quinto ano, após o plantio. Os experimentos na propriedade do produtor Maiolino, já atingiram 500 frutos por árvore e a produção começou no quarto ano. Foram plantadas 40 árvores de pequi e o produtor esperava colher em média 20 mil frutos. Segundo Maiolino foi colhido no máximo 2 mil frutos ou seja, 10% de toda produção, com uma queda de até 90%.

O técnico agropecuário da Empaer, Roberto Arcanjo, comenta que o plantio de sementes acontece o ano todo. A semente de pequi é colhida no chão, retirada a polpa, deixa secar até remover a amêndoa e após dez dias, está pronta para o plantio. Ele explica que para produzir mudas é necessário ter alguns cuidados, tais como, a escolha correta da semente, o preparo da terra, plantio, irrigação e acompanhar a evolução da planta.

“A muda do pequi requer cuidados, pois é de difícil germinação e em alguns casos, a semente poderá ser tratada antes do plantio, garantindo mudas produtivas para o produtor”, esclarece Arcanjo.

Na Estância 13, numa área de um hectare, do produtor rural Maiolino, foi implantada uma Unidade Demonstrativa (UD) com cinco espécies frutíferas: pequi, jenipapo, cagaita, cumbaru e jatobá. Conforme Lozenil, os produtores estão plantando pequi para recuperação de áreas degradadas devido à versatilidade da planta e valor econômico. A madeira pode ser utilizada para construção civil, o fruto na culinária e a castanha para produção de biodiesel.

Na Universidade de Brasília e no Estado do Ceará, na cidade de Cariri, pesquisadores estão utilizando o fruto do pequi para produção de remédios como cicatrizantes, anti-inflamatórios e gastro protetores prevenindo o desenvolvimento de tumores e doenças cardiovasculares. Na indústria de cosmético fabricam sabonetes, cremes e outros. “Altamente calórico, protéico e perfumado com gosto meio adocicado é usado também como condimento, rico em vitamina A,C e E. a polpa contém uma boa quantidade de óleo comestível”, declara Frutuoso.

 

No Estado foram encontradas quatro variedades, na região da Baixada Cuiabana o pequi de tamanho pequeno e o mais consumido na culinária, de tamanho médio em Barra do Garças, grande em São Félix do Araguaia e o pequi sem espinho encontrado no Xingu, na reserva indígena. As mudas de pequi serão comercializadas no Viveiro da Empaer por apenas R$ 5,00.
24horasnews

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