Produtores debatem com o Judiciário

Durante o seminário “Desenvolvimento Econômico e seus Reflexos no Sistema Judicial”, magistrados participam de discussões e conhecem fazenda in loco

O seminário “Desenvolvimento Econômico e seus Reflexos no Sistema Judicial” foi concluído no sábado com a discussão sobre os mitos e realidades sobre o uso de agrotóxicos e transgênicos na agricultura nacional. O assunto foi debatido pelo presidente da ONG AgroBrasil e consultor em organização e marketing rural, Xico Graziano, pelo presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, e pelo procurador de Justiça de Mato Grosso, Luiz Scaloppe.

Em sua palestra, Graziano alertou sobre o preconceito existente acerca da classe produtora brasileira. Segundo ele, a maioria das interpretações da sociedade é influenciada por ideologias, senso comum e conhecimento adquirido no passado. “Mas essa discussão precisa ser baseada em informações precisas. Existe um achismo contra a agricultura, sem fundamento científico”, pontuou.

Sobre a questão transgênica, o presidente da AgroBrasil lembrou que 51 países no mundo produzem lavouras transgênicas, totalizando mais de 150 milhões de hectares e envolvendo cerca de 5 milhões de agricultores – e nunca foi relatado nenhum problema pelo uso da transgenia. “Está comprovado na prática que o temor inicial sobre os transgênicos foi superado pelo avanço do conhecimento cientifico”, afirmou.

Além da discussão teórica e do debate de ideias, o evento contou com uma etapa em que os magistrados conheceram in loco uma fazenda em Sorriso para se aproximarem da rotina de trabalhos de uma propriedade rural. Para o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, a oportunidade foi de troca de conhecimento. “Queremos que o Judiciário esteja aberto à troca de informações e conhecimento, para trazer luz às decisões”, afirmou.

O vice-presidente da Aprosoja, Ricardo Tomczyk, mediou palestra do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que debateu o papel da justiça no desenvolvimento do agronegócio no Brasil. “Nossos conceitos estão alinhados com o Judiciário. O foco é produzir com segurança jurídica, para ter instabilidade nas relações e decisões e, assim, avançar no crescimento e desenvolvimento”, afirmou Tomczyk.

O seminário “Desenvolvimento Econômico e seus Reflexos no Sistema Judicial” contou com a participação de mais de 500 pessoas, entre juízes, desembargadores, advogados, produtores, acadêmicos de direito, agronomia e medicina veterinária, servidores públicos e professores. O evento foi uma realização da Famato em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Aprosoja, Senar-MT, Sindicato Rural e prefeitura municipal de Sorriso.

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