Professora de Canarana conta experiências de sua missão na África

A professora de Sociologia Lídia Rafaela Noleto, 30 anos, membra da Igreja Batista, abandonou o trabalho de professora em uma escola de Canarana para realizar um sonho. Ser missionaria no continente Africano. Esse sonho foi realizado entre os dias 30 de junho a 20 de julho de 2017, quando ela esteve em uma viagem social e missionária em Moçambique, passando pelas cidades de Beira e Dondo.

“Como é bom compartilhar com vocês da bondade de Deus em minha vida”, foi assim que Lídia iniciou a entrevista ao Jornal O Pioneiro.

Lídia tinha esse sonho há 12 anos. “Tentei por várias vezes participar do projeto Radical África, porém todas as tentativas não deram certo, sei que não era o tempo de Deus. Esse desejo de anunciar a Cristo na África nunca morreu dentro de mim. E Deus me levou para a África”, contou.

A coordenação da viagem esteve a cargo da Missão Igreja Batista Vila Ivonete do estado do Acre, coordenada pelo pastor Ivanildo Oliveira, em apoio ao trabalho dos Missionários da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira.

As experiências

A felicidade se mede por bens materiais? O que a professora de sociologia viu impactou a sua vida.

“Antes de ir a gente já tem noção que na África eles são pobres. Eu percebi e aprendi muitas coisas, como que é não ter o que comer, o que vestir, não ter trabalho. O pouquinho que eles ganham é pra alimentação. O que eles mais comem é tipo uma polenta de milho branca e ratos silvestres que tem gosto de porco. O que me chamou a atenção de tudo isso, é que apesar da pobreza, eles são muito felizes, tem alegria, não reclamam, não pedem e em cada casa nós éramos bem recebidos, com abraços, beijos e queriam que a gente se sentasse nos melhores lugares”, relata.

Lídia visitou um orfanato onde ministrou palestras e entregou materiais de escovação. Só que não era um orfanato qualquer: “Foi muito bom, mas muito triste. Me emocionei porquê todas as crianças são soropositivas em que os pais morreram por serem soropositivos, algo que elas não puderam escolher e o único amor que elas tem é de uma coordenadora do orfanato que também é brasileira”.

Um projeto muito bacana que Lídia conta é sobre adotar uma criança, pagando a manutenção dela em uma escola. “Tem uma escola que atende crianças do maternal ao ensino médio, com o objetivo de formar cidadãos de bem com a palavra de Deus na vida deles. Os menores tem três alimentações por dia e os maiores tem só uma. Os batistas brasileiros adotam crianças com uma mensalidade x pra manter elas na escola, pagando matrícula, mensalidade, uniforme e alimentação. Vou adotar uma criança nesse estilo”, falou.

Uma história que a professora nos contou e que lhe impactou muito é da pequena Sofia, de apenas 13 anos. Ela é responsável por seus irmaos de 2 e 3 anos. Além destes, mora com o irmão de 19 anos que ganha cerca de USD 8.00 por mês e outro irmão com 17 anos, mas que tem transtornos mentais. Eles tem uma pequena casa de dois cômodos e um banheiro externo com latrina e sem teto. A mãe de Sofia faleceu e apenas dois meses depois o pai faleceu também. Eram 7 irmãos, os familiares vieram e levaram os que podiam trabalhar e deixaram Sofia com um bebezinho de 2 meses e mais um irmão de 1 ano e 8 meses.

“A Sofia, com apenas 11 anos, ficou responsável pela casa, sem dinheiro, sem trabalho, sem família. Nossa igreja em Moçambique começou a socorrer, dando-lhe comida e roupas. Contratamos uma senhora que vai cuidar dela diariamente, ensinar higiene pessoal, como cuidar dela primeiro e depois ajudar a cuidar dor irmãos. Os dois menores irão para a creche de nossa igreja e Sofia vai voltar para escola ainda nesse ano”, contou.

Missão

Lídia Rafaela deixou a todos o seguinte versículo de aprendizado de sua missão: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” – Atos 20.24.

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