Quadrilhas que atuaram em roubo a bancos em Mato Grosso estão desarticuladas‏

LUCIENE OLIVEIRA
Assessoria/PJC-MT
O Estado de Mato Grosso registrou dois roubos a banco na modalidade “Novo Cangaço”, no ano de 2013. A redução foi de 66% nos assaltos em comparação com o ano de 2012, quando seis cidades do interior sofreram com a ousadia de quadrilhas fortemente armadas. Nos dois casos, as quadrilhas foram presas e alguns membros mortos em confronto com a polícia.
Outras cinco ações contra bancos foram registradas em 2013, além de 25 ataques em caixas eletrônicos. Foram um roubo na modalidade “sapatinho”, no município de Nobres (16/01/13); dois roubos de malote nas cidades de Jangada (18/10/13) e Acorizal (21/10/13); dois roubos comerciais, um em Rondonópolis (20/03/13) no Sicoob e outro em Santa Rita do Trivelato (06/12/13) na cooperativa do Sicred.
Dos casos de “novo cangaço” registrados em 2013, um ocorreu em Vila Rica (09/09/13) e foi cometido na forma clássica” e outro, no Distrito de Água Limpa (20/12/13), região de Nova Ubiratã, foi denominado “minicangaço”, uma vez que ação se assemelha no “modus operandis”, no entanto, diferencia pela quantidade de pessoas envolvidas e armamento usado, além de ser ação de criminosos mato-grossenses.
“O minicangaço é uma ação mais rápida, há menos alarde e menos trauma aos moradores”, diz delegado Stringueta.
O delegado titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado, Flávio Henrique Stringueta, explica que o diferencial dos roubos está, principalmente, na forma silenciosa utilizada no “minicangaço”, enquanto que no cangaço original a cidade fica sitiada por criminosos fortemente armados, que efetuam disparos de armas de grosso calibre usando pessoas como escudo humano e depois levadas reféns na fuga. “Já no ‘minicangaço’ a ação é mais rápida, há menos alarde e menos trauma aos moradores, que pode até passar despercebido. Isso já não acontece no ‘novo cangaço’”, observa.
Uma das ocorrências de “minicangaço” aconteceu no dia 20 dezembro na cooperativa do Sicred, do Distrito de Água Limpa, município de Nova Ubiratã (502 km ao Norte), quando cinco bandidos roubaram R$ 40 mil. Dois assaltantes foram mortos em confronto com policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e três integrantes estão presos por formação de quadrilha, roubo majorado e resistência a prisão. Eles já foram denunciados pelo Ministério Público Estadual.
Essa quadrilha foi identificada pelo GCCO como a mesma que invadiu a agência do Sicred, no município de Santa Rita do Trivelato, no dia 6 de dezembro. “Em Santa Rita do Trivelato não chegou a ser um ‘novo cangaço’, sem parar a cidade. Nesse caso entraram e saíram como se fosse um assalto em estabelecimento comercial”, disse o delegado. “A quadrilha que fez Água Limpa e Santa Rita é a mesma”, afirmou.
O primeiro “novo cangaço” de 2013, ocorreu depois dez meses sem nenhuma ação no Estado. Em 9 de setembro, as agências do Banco do Brasil, Bradesco, e o Correios, do município de Vila Rica (1.259 km a Nordeste) foram invadidas em ação coordenada por uma quadrilha oriunda do estado do Pará.
Na ocasião, ao menos 15 bandidos armados com fuzis levaram pânico aos moradores da cidade, usando várias pessoas como escudo humano durante os vários disparos de arma de fogo de grosso calibre, e, depois, na fuga fizeram reféns funcionários e clientes das agências. No caminho queimaram dois veículos (uma caminhonete e um carro de passeio) sobre uma ponte de acesso ao município de Santa Teresinha, na MT 431. Os reféns foram liberados a 15 km de Vila Bela e os bandidos se dividiram em grupos na mata.
As investigações comandadas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado, da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, levaram a prisão oito pessoas envolvidas no roubo
Armamento usado por quadrilhas do novo cangaço.
simultâneo. As prisões ocorreram no dia 27 de setembro e todos estão  indiciados porroubo majorado, mediante de emprego de arma de fogo, concurso de pessoa e restrição da liberdade da vítima.
A operação desencadeada pelo GCCO, em conjunto com a Delegacia Especializada Investigações Criminais Complexas (Deic), da Polícia Civil do Tocantins e a Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Pará, foram recuperados R$ 50 mil da quantia roubada em Vila Rica, e apreendidos 16 veículos, adquiridos com dinheiro do assalto.
Durante o cerco a quadrilha na mata, dois dos bandidos foram mortos em confronto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, um deles o líder da quadrilha Antonio de Oliveira, 47, conhecido por “Antônio Moura”, assaltante do estado do Pará. Com os mortos foram apreendidos um fuzil AK 47, calibre 7,62mm e uma pistola ponto 40, cinco carregadores e munições, além R$ 15,6 mil, em dinheiro.
Para Stringueta as forças de segurança de Mato Grosso apreenderam com ações anteriores e hoje entendem melhor como as quadrilhas agem. “Temos conseguido antecipar muitas ações, mas isso a sociedade não vê porque não aparece. Também temos conseguido confrontar com eles logo após as ações, no caso do Bope. Hoje todas as quadrilhas que atuaram em 2012 e 2013 estão desarticuladas”, avalia o delegado.
Sapatinho Nobre
No único caso “sapatinho ocorrido na Cooperativa do Sicredi em Nobres, cinco suspeitos foram indiciados pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Judiciária Civil e três encontram-se presos.  O inquérito policial da operação “Sapatinho Nobre” foi concluído no começo de abril de 2013 e indiciados nos crimes de crimes de extorsão mediante sequestro e formação de quadrilha: Heverlon Rodrigues Campos, 21, o “Pepe”, a mulher dele, Laura Carla Figueiredo Torres, 21; Joas Santos Bruno, 19, Ulisses Batista, 29, conhecido como  “Negão”, e Paulo Terra Junior, 37, o “Paulista”, que se encontra foragido. Os suspeitos Heverlon, Joas Santos e Ulisses estão presos na Penitenciária Central do Estado (PCE).
As apurações do GCCO identificaram que Heverlon Rodrigues, que tem passagem por homicídio cometido em Nobres, planejou o assalto, executado na manhã do dia 16 de janeiro. As reuniões preparatórias aconteceram na residência de Paulo Terra Júnior, que também tem passagem por roubo. Ele dividia uma casa com Joas Santos Bruno, em Nobres. Ulisses Batista da Silva, apontado como líder da quadrilha, é o único que não tinha residência fixa na região.
O nome “sapatinho” é alusivo ao modo silencioso da ação. A família do gerente é mantida refém para facilitar a invasão da agência, sem chamar atenção da polícia.

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