Quebra na safra americana pode ser maior que o esperado

Associados da Aprosoja observam que se não chover dentro de uma semana, a produtividade de soja pode ser mais afetada do que a do milho

 Ascom Aprosoja

Uma comitiva da Aprosoja está nos Estados Unidos (EUA) na sexta edição da Missão Estados Unidos, composta por produtores e delegados da entidade. O objetivo é proporcionar aos produtores a troca de experiências e conhecimentos de novas tecnologias e processos internacionais que possam ser aplicados na realidade da produção mato-grossense. Na terça (27), a equipe visitou a primeira fazenda no país, na divisa dos estados de Indiana e Illinois.

 Na propriedade, considerada grande produtora de grãos, são cultivados mais de 3.800 hectares entre soja e milho pelo o produtor Ollie Dorn, seus dois filhos e mais quatro funcionários em tempo integral. O produtor Ricardo Arioli, que acompanha a missão desde a primeira edição, contou que o milho nessa fazenda está se desenvolvendo bem, apesar da seca que se prolonga por 10 dias. “Parece que o milho não será afetado, mesmo que esta seca continue por mais alguns dias como está previsto”.

 No entanto, a caminho de Champaign foram vistas várias lavouras de milho com problemas de desenvolvimento devido à seca, como folhas enroladas, espigas pequenas, áreas mais amareladas e manchas em alguns talhões. “Isso mostra que os problemas são localizados e que a falta de chuvas afetou algumas lavouras mais do que outras”, explicou Arioli. De acordo com os jornais locais este é o segundo mês de agosto mais seco da história.

 Na quarta (29) foram visitadas mais duas fazendas, além da visita ao Laboratório Nacional de Pesquisa de Soja, que fica na Universidade de Illinois e é mantido pela Associação dos Produtores de Soja do estado. Nessas lavouras, segundos os produtores, foi possível perceber que a soja visualmente está muito boa. “A sensação dos produtores é de que se a seca continuar por mais uma semana, a produtividade da soja será mais afetada do que o milho”, disse Arioli.

 Como a soja e o milho foram plantados mais tarde do que o normal, a soja ainda precisa de mais chuvas durante a formação de grãos para garantir uma boa produtividade. Boa parte do milho já se encontra com a produtividade definida, pois durante a polinização o clima transcorreu bem com umidade e temperatura.

 Outro problema que os produtores americanos temem é que possa ocorrer geada mais cedo, o que poderia causar algumas perdas. Segundo Arioli, a percepção é de que a safra americana poderá ter uma quebra maior do que o esperado e divulgado até agora e que ainda há muitas incertezas a respeito dos números finais da safra. “Enquanto isso o mercado continuará nervoso. Esta será uma safra de fortes emoções, mas também cheia de oportunidades”, finalizou ele.

 Os participantes também visitam a Farm Progress Show, em Illinois, considerada uma das mais importantes feiras de agronegócio no mundo. Também visitarão a Cargill e o escritório da Associação Americana da Soja (ASA), entre outras agendas.

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