Rebanho bovino de Canarana diminui mais de 60 mil cabeças em menos de dois anos

Em menos de dois anos o rebanho bovino do município de Canarana diminuiu mais de 60 mil cabeças, o que corresponde a mais de 17,5%. Os dados são do INDEA (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado Mato Grosso) local, repassados por Marcelo Alexander, agente fiscal.
A explicação parece simples. Não se trata propriamente de uma crise no setor, mas ao cenário agrícola atual, onde os preços atraentes das commodities como soja e milho, estão fazendo com que os produtores migrem da pecuária para a agricultura. Para um pecuarista dono da terra, é mais lucrativo arrendar a área pra soja do que criar gado.
Na contramão da pecuária, a área de soja, por exemplo, deve expandir para 200 mil hectares neste ciclo em Canarana. Na safra 2010/2011, eram 127. Na passada, foram 153 mil. Em dois anos, portanto, o crescimento de área será em torno de 80 mil hectares, o que corresponde a mais de 55%.
Já o rebanho bovino trilha o oposto. Em janeiro de 2011, Canarana atingiu o maior rebanho de sua história, com 364 mil cabeças. Caiu para 331 em janeiro de 2012, e para 261 mil em outubro passado. Porém, não estão contabilizados os bezerros nascidos de maio para cá, o que Marcelo Alexander acredita ser de umas 40 mil cabeças.
Em dezembro, os pecuaristas terão que levar até o INDEA, os comprovantes da vacinação contra a febre aftosa. Em cima disso os agentes fecharão a conta do rebanho completo, que será divulgado em janeiro de 2013, onde se espera um número de 300 mil cabeças. Se isso se confirmar, a redução será de mais de 60 mil bovinos, mais de 17,5% em dois anos.
Para o agente fiscal do INDEA local, o principal motivo é a conversão de pastagens em lavouras.  Acontece que grande parte desse aumento se dá por conta de arrendatários, que diferente daqueles produtores que são proprietários, não investem na integração lavoura/pecuária, onde se ocupa a mesma área para soja e gado.
Canarana hoje tem mais de 720 pecuaristas e a tendência é que o rebanho continue caindo, por conta do cenário positivo para os grãos, onde mais áreas de pastagens devem ser convertidas em lavouras nos próximos anos. Marcelo Alexander acredita ainda numa redução entre 10 a 20% do rebanho.

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