Recém-nascido espera 10 dias por vaga em UTI e morre em MT

Criança foi transferida neste domingo para hospital regional de Cáceres.
Menino precisava passar por cirurgia para retirada de tumor na cabeça.

Bebê foi transferido de avião para hospital em Cáceres neste domingo. (Foto: Reprodução/ TVCA)

Um bebê recém-nascido morreu neste domingo (7) ao aguardar por  uma cirurgia para a retirada de um tumor na cabeça. A família da criança alega que houve demora na liberação de vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A transferencia para o Hospital Regional de Cáceres, a 220 km da capital, só ocorreu 10 dias após o nascimento dele, em Sinop, a 503 km de Cuiabá.

O bebê foi transferido de avião para Cáceres na manhã deste domingo (7) e morreu à noite. O hospital em que ele estava, que é particular, deixou de atender pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por falta de repasse do governo do estado. A criança só foi transferida após determinação judicial.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que os atendimentos pelo SUS, entre os meses de janeiro e março, já foram pagos. Os atrasados chegaraim a R$ 8 milhões. Informou ainda que os repasses de abril e maio ainda passarão por auditoria.

O pai do menino disse se sentir agradecido pela mobilização em prol de uma vaga de UTI para o filho. “Agradeço a mobilização da cidade, que foi fundamental para conseguir essa vaga na UTI”, disse o autônomo Moisés Alves.

Pais acionaram a Justiça em busca de vaga de UTI para bebê. (Foto: Reprodução/ TVCA)
Pais acionaram a Justiça em busca de vaga de UTI para
bebê. (Foto: Reprodução/ TVCA)

A mãe relatou que o bebê sofreu uma parada cardíaca logo após o nascimento. “O médico descobriu que ele tinha um tumor na cabeça. Ele teve uma parada cardíaca logo após o nascimento”, contou Celiane Ribeiro.

O hospital onde o bebê nasceu, emSinop, possui 10 leitos de UTI neonatal, mas eles estão fechados desde março. Segundo a administração da unidade, o fechamento ocorreu porque o estado não estava fazendo os repasses usadas para a manutenação das UTIs. Segundo eles, a dívida seria de quase R$ 12 milhões.

Para o vice-presidente do Conselho de Medicina de Sinop, Frederico Bussolaro, o caso de Pedro expôs a relação crítica entre o hospital Santo Antônio e o governo do estado. “O Santo Antônio alega que não tem repasse, um repasse criterioso, ordenado, mês a mês, desde meados do ano passado. Agora, a conta do hospital não bate com a do estado e ninguém consegue sentar e esclarecer”, avaliou.

A direção do Hospital Santo Antônio informou que a unidade não realiza mais nenhum atendimento pelo SUS, até que a situação seja regularizada. G1.MT

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