Rede Sementes do Xingu ganha mais visibilidade no Norte Araguaia com construção de casa de sementes

A cadeia de coleta e armazenamento de sementes florestais na região Norte Araguaia vive atualmente uma nova realidade, após a inauguração da casa de sementes na sede da Associação Terra Viva (ATV), chácara Terrágua, em Porto Alegre do Norte.

Em 2012, com a construção da casa, as sementes passaram a ter um armazenamento mais adequado, possibilitando a melhoria de qualidade das mesmas. Além disso, em 2014, com a chegada de um técnico operacional, melhorou também a gestão administrativa, tornando mais fácil o controle de estoque, de entrada e de saída das sementes.

Até então, as sementes eram estocadas na casa dos próprios coletores, o que comprometia a qualidade das sementes. Algumas vezes ocorriam atritos entre os coletores, por causa das perdas de qualidade das sementes de todo lote.

A casa permitiu maior visibilidade ao trabalho da Rede de Sementes do Xingu, na região de Porto Alegre do Norte, que abrange também os municípios de Confresa, São Felix do Araguaia e Canabrava do Norte, no norte do Araguaia mato-grossense.

“Há periodicamente visitas à casa de sementes pela comunidade, escolas locais, alunos do curso do Senar, estudantes do IFMT – Confresa, das Universidades como Unemat, UFMT e Unopar, comunidades indígenas como os Tapirapé e Xavante”, contou Claudia Alves de Araújo, vice presidente da ATV.

Isso vai difundindo entre a comunidade do Norte Araguaia o objetivo da RSX, que possui atualmente mais de 420 coletores de sementes espalhados pela região Araguaia/Xingu e que recebeu mais de 26 toneladas no ano passado, possibilitando uma fonte de renda entre pequenos produtores e indígenas, que coletando sementes florestais fomentam a recuperação de áreas degradas através do plantio mecanizado.

Conforme Claudia Alves, este trabalho da Rede de Sementes do Xingu se encaixa perfeitamente dentro do objetivo da ATV, desde a sua criação, em 1988, que é propor um caminho diferenciado de agricultura familiar, frente à monocultura e a agropecuária empresarial que se expande pela região. “Nosso lema é: recuperar, conservar e gerar renda”, explicou.

No ano de 2014, a casa de Porto Alegre do Norte recebeu 2 toneladas de sementes florestais, entregues por 32 coletores dos quatro municípios e de duas aldeias indígenas: Iny Karajá e Marãiwatsédé.

Para melhorar ainda mais suas instalações, recentemente a casa de sementes recebeu investimentos através do projeto “Sociobiodiversidade Produtiva no Xingu”, com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, geridos pelo ISA (Instituto Socioambiental), que tem a ATV, como uma das organizações aglutinada.

Atualmente a casa possui o local de armazenamento das sementes, um banheiro, um escritório, além de ar condicionado, desumidificador, tambores de armazenamento, prateleiras, notebook e impressoras. Também foi instalado um padrão de energia elétrica em nome da Associação Rede de Sementes do Xingu.

(Texto: Rafael Govari – ISA; Foto: Claudia Alves – ATV)

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