Reuniões políticas de juiz federal geram questionamentos sobre ética em Mato Grosso

Os encontros do juiz federal Julier Sebastião da Silva com lideranças de diferentes partidos em que seria discutida sua eventual candidatura ao governo do Estado em 2014 foram criticados pelo deputado estadual Cândido Teles (PSB). O parlamentar, que é advogado e atua na vaga da titular Luciane Bezerra (PSB), avalia a postura do magistrado como “profundamente lamentável”. Para ele, o comportamento pode pôr em xeque a atuação do Judiciário. “O Brasil anda mal com o procedimento de alguns juízes. É preciso corrigir esse erro, sob pena de colocar em dúvida a lisura e a transparência do poder Judiciário”, analisa.

Além de ver com maus olhos as ações do magistrado, Teles é enfático ao sugerir que, antes de se posicionar dentro do cenário político, Julier deixe o cargo de juiz. “Se quer ser candidato, que deixe a toga e que enfrente as ruas. O que não pode é ficar nessa posição de querer ser pré-candidato, de falar de política”.

O socialista destaca que já advogou com importantes nomes como os dos ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Aldir Passarinho e Oscar Dias Corrêa [in memoriam] e que jamais viu um magistrado que, ainda exercendo a função, falasse de assuntos políticos. Em meados de setembro, Julier visitou gabinetes de deputados estaduais na Assembleia Legislativa (AL), entre eles o de José Riva (PSD) e Mauro Savi (PR). Ele, no entanto, negou que estivesse tentando analisar possíveis filiações a uma das legendas.

Julier também estaria sendo assediado pelo PT, cujo aval para uma candidatura ao cargo de chefe do Executivo estadual no ano que vem teria sido dado pela presidente Dilma Rousseff. Outra agremiação que já demonstrou interesse no juiz é o PMDB.

O fato, no entanto, é que esta proximidade do magistrado com o processo eleitoral de 2014 já foi usada em tribunais. O processo contra o senador Blairo Maggi (PR) que ficou conhecido como “o caso Home Care” foi suspenso depois que a defesa do republicano recorreu alegando que Julier não poderia julgar a ação devido às suas pretensões políticas.

Cândido Teles demonstra descontentamento com a proximidade do magistrado com as lideranças partidárias. “Como poderá julgar um dia esses políticos com quem se encontra? E se essa demanda chegar para a apreciação dele, como vai se manifestar?”, questionou.

O juiz federal tem até abril de 2014 para se desincompatibilizar da magistratura e se filiar a um partido. Olhar Direto

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