Risco de conflito: Ex moradores da Suiá Missú dizem que não vão deixar a área, BR 158 está liberada

Ex-moradores da Suiá Missú querem as terras de volta ou indenização do Governo Federal

O clima é tenso na região do Posto da Mata, antigo distrito de Estrela do Araguaia que foi destruído após a desintrusão feita pela FUNAI com autorização da Justiça e concluída no inicio do ano de 2013. Exatamente um ano após a desintrusão, os ex-moradores estão de volta, e agora dizem que pra valer. “São nossas terras, o Governo nunca nos deu oportunidade, nos tiraram como se fossemos nada, não tivemos nenhum beneficio,  muitos morreram, outros se suicidaram depois que perdemos nossas terras. Agora voltamos para o que nos pertence e não vamos sair daqui”, disse um dos ex-moradores que está de volta junto com mais de mil pessoas que estão acampadas novamente no velho posto, que até pouco tempo servia de base para a Força Nacional que fazia a guarda da região indígena.

Os ex-moradores desmentiram as informações veiculadas por sites da Capital de que a BR havia sido trancada e de que o Cacique Damião teria sido perseguido. “Nós não vimos o Damião, assim como não fechamos a BR 158. Esse é um movimento de luta pelos nossos direitos, nada mais, não estamos ameaçando ninguém, só queremos o que é nosso por direito, e pedimos que a imprensa da Capital pelo menos ouça o que os ex moradores tem a dizer, e não fiquem veiculando notícias mentirosas sobre o que acontece aqui, já que não há nenhum reporter a nao se os da região”, pediu uma liderança que está no Posto da Mata.

A equipe de jornalismo do Agência da Notícia está no Posto da Mata desde as 15:00 hs deste domingo(26), e não viu nenhuma ação que demonstre perigo, apenas a vontade e determinação dos ex moradores em permanecer na área.

Os ex-moradores exigem do Governo Federal suas terras de volta, ou então a indenização pelas terras.

O Ministério Público Federal encaminhou nota para informar que a Polícia Federal e Rodoviária voltem à terra indígena para evitar nova ocupação da área.

“A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal estão sendo intimadas pela justiça com a ordem para retornarem à terra indígena Marãiwatséde para evitar uma nova invasão da área. O pedido para o retorno das forcas policiais foi feito pelo Ministério Publico Federal à Justiça Federal diante de informações de um plano para invadir novamente o território indígena. A decisão do juiz federal determina, também, que na hipótese de a invasão ocorrer, as forças de segurança devem fazer a identificação dos invasores, especialmente das lideranças, a apreensão dos veículos e equipamentos utilizados para resistir e desobedecer a polícia. O Ministério Público Federal será comunicado para tomar as providências cabíveis na esfera penal, como requerer a prisão dos responsáveis pela invasão”, diz a decisão do Ministério Público.

Os ex moradores afirmam que não receberam nota e que não vão sair mesmo por pressão policial. “Estamos há um ano vivendo na miséria e nada é feito, agora vamos permanecer aqui, e o Governo é que tem que resolver, porque se índio tem direito o branco também tem que ter”, desabafou um dos ex-moradores.

Ninguém que está no local quer se identificar por temer represálias, estão reunidos no Posto da Mata, adultos, crianças e idosos, o risco de conflito é grande, justamente pela decisão dos ex-moradores em se manter nas terras.

A área da Suiá Missú corresponde à 165 mil hectares e abrigava cerca de 7 mil pessoas, após ser decretada Terra Xavante, e feita a desintrusão cerca de 300 indíos vivem no local. Via Agência da Notícia com Camila Nalevaiko e Ari Dorneles

 

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