”Sem asfalto, não adianta investir no Araguaia”, destaca economista

Qual a importância de uma estrada? Para o economista Eliezer Soares, ela pode ser tanto o motor precursor do desenvolvimento de uma região ou o entrave dela. Vai depender dos programas de investimento em logística realizados pelo poder público e os incentivos aos investimentos.

“É simples, se você tem uma rodovia com estrutura, em boas condições de trafegabilidade, ligando pontos importantes e incentivos fiscais para empresas se instalarem no entorno, a região cresce, gera emprego, renda e se desenvolve. Agora se a estrada não tem sequer asfalto, não adiante nem ter os incentivos, porque os custos com transporte os absorvem e inviabiliza o negócio”, comentou Soares, reforçando que em tempos de concorrência internacional o que os empresários buscam são baixos custos, e neste aspecto asfalto é primeira necessidade.

“É difícil acreditar que ainda exista alguma região no país que ainda espera por asfalto para se desenvolver. Estrada e energia são de primeira necessidade, devem ser instalados antes das pessoas chegarem para morar”, destacou o economista. E realmente é difícil acreditar, mas esta ainda é a realidade do Norte Araguaia, é fato que a região cresceu nos últimos anos, mas ainda espera pela conclusão do asfalto da BR 158. São cerca de 200 quilômetros no trecho que corta a aldeia indígena da Suiá Missu, ainda no chão, poeira e lama.

E essa situação, além de atrapalhar o crescimento ainda eleva os custos para viver na região. Foi o que explicou o empresário Gilson Baitaca, que representa os caminhoneiros do estado e esteve a frente das manifestações que ocorreram no início do ano. “Todo o sistema de transporte no Brasil é feito em rodas, por caminhões. Praticamente tudo o que você compra, no mercado, na loja, no shopping, chegou até lá em caminhões e se a estrada não oferece condições o custo para que esses produtos cheguem a prateleira é maior”, explicou o empresário.

É da mesma maneira no campo, para a vinda dos fertilizantes, sementes e para escoarem a produção. “Por isso é tão difícil produzir no Mato Grosso, é caro para comprar os produtos e mais caro ainda para que os grãos cheguem até o porto. E mesmo assim conseguimos ser competitivos, imagina se tivemos a logística ideal” ponderou Baitaca.

No Mato Grosso, a BR 158 entra na região de Barra do Garças e segue cortando o Araguaia até a divisa com o Pará. Até o município de Ribeirão Cascalheira o trecho é com asfalto, depois segue até Canabrava do Norte no chão e volta a ter pavimentação até a divisa dos municípios de Confresa e Vila Rica.

Este espaço entre Ribeirão e Canabrava, na maioria, corta a área de 162 mil hectares demarcadas pela justiça como reserva indígena Xavante. E as condições para que o trecho seja asfaltado são quase impossíveis, além dos riscos de conflito entre os usuários e os moradores do entorno. Por isso, um grupo de empresários e agricultores defendem um novo traçado da rodovia, contornando a aldeia e passando pelos municípios de Serra Nova Dourada, Bom Jesus do Araguaia e Alto Boa Vista.

“Quantos mais municípios a rodovia passar, melhor. Mais fácil de se desenvolver, o fluxo de mercadorias, pessoas e serviços aumentam. E se a região ainda depende desta obra, ela precisa pensar como comunidade e com certeza é preciso atender a maioria das cidades”, comentou Soares. Agência da Notícia

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