SEMANA DA MULHER: Mulheres do campo vão em busca de aperfeiçoamento

Há mais de 2000 anos a figura feminina tida como exemplar é a de Maria. “Em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus Maria deixou. Um sonho de mãe Maria plantou, pro mundo encontrar a paz”, diz a canção “Maria de Nazaré”. Entretanto, no mundo moderno o papel da mulher foi ampliando, ultrapassando a função de mãe e esposa. Agora elas estão no mercado de trabalho e competem com os homens de igual para igual. No meio rural não é diferente. E é na qualificação profissional que as “Marias” encontram um trunfo.

Um exemplo é a dona Maria Madalena Lima Rocha, 43 anos, do Distrito Novo Paraíso, município de Ribeirão Cascalheira (a 960 km de Cuiabá). Ela não tem preguiça de produzir na chácara da família. Na terra mantém o cultivo de mandioca, banana, horta e pasto para o gado, além de criações de bovino, porco e galinha. “Apesar de fazer isso há mais de 20 anos nunca soube se estava tendo lucro ou prejuízo com todo esse trabalho”, conta.

Essa dúvida fez com que dona Maria se interessasse pelo treinamento “Administração de Pequenas Propriedades Rurais” oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em Ribeirão Cascalheira no mês de julho de 2011. “A instrutora explicou para a gente como que fazíamos cálculos, disse que tínhamos que planejar o que a gente iria plantar na nossa terra, saber qual a melhor forma de comercializar a nossa produção, essas coisas. O curso foi muito bom”, avalia a chacareira.

Diferente da Maria de 2000 anos atrás, dona Maria Madalena não tem filhos. Conta com o esposo e os pais para a lida na chácara, por isso fez questão de levar o conhecimento adquirido no curso para todos os membros da família. “No começo eles não se interessavam muito, mas agora todo mundo entende que é importante saber quanto se gasta para produzir e qual o retorno, afinal esse é o nosso ‘ganha pão’”, enfatiza. “Eu não tinha muita instrução e hoje tenho orgulho em dizer que sou a administradora da minha propriedade”, confessa.

Em 2011, o Senar capacitou 43.210 pessoas, seja em cursos de Formação Profissional Rural ou em ações de Promoção Social, desse total 24.030, foram do sexo feminino, o que representa 55,6% do público atendido pela instituição. “Hoje em dia a mulher pode fazer tudo que quiser”, argumenta dona Maria. “No curso mesmo que eu fiz, a maioria dos alunos era mulher”, aponta.

O Senar é uma instituição de ensino não formal, voltada para produtores, trabalhadores rurais e seus familiares. Procura, por meio de eventos educacionais, mantê-los em sintonia com as exigências do mercado do trabalho, dando oportunidade para aperfeiçoamento e qualificação em diferentes ocupações. Ao lado de entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), que congrega os 86 Sindicatos Rurais de Mato Grosso, e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), integra o Sistema Famato.

BBnews com Alcione dos Anjos da Famato

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