Servidores do Indea suspendem paralisação

No início da noite da última quarta feira, os servidores do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea/MT) suspenderam a paralisação das atividades. A partir de hoje, será retomada, entre outros serviços que são prestados, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para movimentação de cargas vivas dentro do Estado, desde o embarque na propriedade até, por exemplo, o desembarque nos frigoríficos. Sem a GTA nenhum animal passa da porteira e sem ela, não se abatem bovinos, suínos e aves.

Sem a autorização de trânsito, nenhum dos 40 frigoríficos de bovinos em atividade, em Mato Grosso, abateu animais ontem e boa parte das plantas estava há mais de dois dias sem operar, desde que o documento deixou de ser entregue.

Mesmo com a decisão de colocar fim à paralisação, após acordo com o governo do Estado, os abates de bovinos, por exemplo, só voltarão ao fluxo no sábado e os volumes beneficiados só chegam ao varejo a partir da próxima segunda-feira. O mato-grossense ainda corre o risco de passar o final de semana prolongado sem muitas opções de carnes e de cortes. “A crise das carnes” deve atingir em cheio o bolso do consumidor, que pela lógica do mercado poderá pagar mais caro pelo excesso de demanda em um momento de escassez na oferta.

Como explica o secretário-executivo do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso Sindifrigo/MT, Jovenino Borges, as indústrias não trabalham com estoques. “Abatemos hoje e amanhã carregamos os cortes, é assim que trabalhamos e como estamos há pelo menos dois dias sem operar não temos o que levar ao varejo e acredito que os estoques deles também são cheguem ao final de semana”.

Ainda como explica o Borges, um dia não trabalhado gera uma perda direta de cerca de R$ 20 milhões pela ausência da movimentação financeira, considerando que diariamente, aproximadamente 17 mil cabeças entram na escala de produção das unidades.

Questionado sobre o impacto da interrupção nos abates sobre a cotação da arroba, Borges disse que ainda não foi possível avaliar. Entretanto, qualquer queda pontual poderá ser compensada assim que as GTAs voltarem a ser emitidas porque todo mundo voltará à posição compradora e ao mesmo tempo e assim, o produtor poderá recuperar perdas. “Já as perdas de mais de R$ 20 milhões/dia e os possíveis problemas com contratos de exportação que não venham a ser honrados por falta de produto, isso ninguém recupera mais”, lamentou.

CARNES – Em relação aos abates de suínos, a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) explica que cerca de 20 mil animais são abatidos por dia e que sem a emissão da Guia nesta semana, é praticamente certo que nenhuma unidade tenha operado.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Avicultores Integrados (Amav), João Zanata, disse na tarde de ontem que o transporte das aves não havia sido interrompido, mas que a continuidade da greve dos servidores coloca o segmento em alerta, já que não há GTAs para autorizar o trânsito na próxima semana. “Se nada mudar até o final desta semana, certamente deixaremos de abater cerca de 500 mil aves por dia”, adverte.

AÇÃO – A Acrismat entrou com um pedido de liminar contra o Indea/MT devido à paralisação que vem impedindo os produtores de transportar suínos no Estado.

A Acrismat se reuniu na ontem pela manhã com o Sindfrigo/MT e o Indea/MT na sede do Sindicato Estadual dos Servidores do Sistema Agrícola, Agrário e Pecuário de Mato Grosso (Sintap-MT). No encontro, foram discutidas as novas deliberações de transporte, visto que a paralisação tem causado a lotação de granjas e esvaziamento dos frigoríficos. “A geração de ICMS fica reduzida e praticamente não há arrecadação de impostos, a carne se torna mais cara e há grande prejuízo tanto para o produtor, quanto para o frigorífico”, explica o assessor jurídico da Acrismat, Renato Olivo.

INDEA/MT – A diretora da regional Cuiabá do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Agrícola, Agrário e Pecuário do Estado de Mato Grosso (Sintap/MT), Oscarlina de Jesus, explicou que a paralisação teve como objetivo a obtenção de condições de trabalho. “Não queremos aumento, queremos condições, já que em algumas unidades as GTAs, por exemplo, deixaram de ser impressas por falta de toner e em outras há ordem de despejo por falta de pagamento de alugueis”. As reivindicações foram oficializadas ao governador Silval Barbosa na tarde da última terça-feira, quando houve o pronto comprometimento do Estado em resolver o pleito operacional.

Por telefone, o Sintap/MT explicou que o Estado começou a tratar das questões operacionais mais urgentes e reforçou atendimento aos pleitos de médio prazo, o que motivou à suspensão da paralisação.

cd

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