Servidores são acusados de vender carteiras de motoristas em MT

A Polícia Civil desarticulou um esquema venda de carteiras de habilitação, com a conivência de três servidores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT).

A ação criminosa foi descoberta na autoescola “Tapurah”, na cidade do mesmo nome (Norte de MT), onde alunos estavam obtendo facilidades indevidas, recebendo aprovação nos testes práticos de direção, sem que, de fato, se submetessem ao exame, mediante o pagamento de propina.

Na data do teste, os candidatos combinados apenas assinavam a lista de presença, indo embora do local de prova sem sequer entrar no veículo para fazer o teste de “baliza”, “garagem” e “rua”, mas apareciam na lista de “aprovados”, após a divulgação do resultado final.

O esquema seria gerenciado pelo proprietário da autoeescola, que intermediava, junto a servidores do Detran, da banca examinadora, a “compra” da aprovação dos candidatos.

Entre as provas colhidas, a Polícia Civil realizou a filmagem integral de um  teste prático ocorrido no dia 5 de abril, em Tapurah. “O  que permitiu a contagem exata dos candidatos que de fato adentraram nos veículos e se submeteram à prova”, explicou o delegado

As imagens mostram, por exemplo, que, no teste da categoria “A” (motocicletas), a presença de 50 candidatos, enquanto figuram na lista de aprovados 53. Segundo o delegado Luiz Henrique de Oliveira, existem sérios indícios de que pelo menos 3 candidatos obtiveram aprovação indevida, mediante o pagamento de propina.

Um dos candidatos beneficiados revelou o esquema à Polícia, com gravações de vídeo demonstrando toda a negociação feita com a autoescola e cobrança de R$ 2 mil para passar no teste prático para a categoria “C”.

O dinheiro era  depositado na conta corrente utilizada pela autoescola Tapurah. Também existem imagens do candidato saindo do local do teste, após a assinatura da lista de presença, comprovando que ele, realmente, não fez a prova prática. Mas, seu nome estava na lista oficial de aprovados.

A operação

Pelo esquema, sete pessoas foram presas, durante a Operação Palma de Ouro, desencadeada na manhã desta segunda-feira (23).

Três servidores do Detran foram presos em Cuiabá. Outros três envolvidos foram presos  em Tapurah (433 km a Médio-Norte) e 1 em Lucas do Rio Verde (354 km ao Norte).

Os presos podem responder por crimes de corrupção (ativa e passiva), falsidade ideológica, tráfico de influência, inserção de dados falsos em banco de dados da Administração Pública, formação de quadrilha.

Segundo o delegado Luiz Henrique de Oliveira, os presos são dois proprietários e administradores de autoescola, dois instrutores de trânsito, e três servidores do Detran. Também foram cumpridos seis mandados de busca  em residências, na autoescola e Ciretran de Tapurah.

“Também há sérios indícios de que alguns candidatos não estavam realizando as aulas práticas necessárias à aprendizagem de direção, mas mesmo assim eram relacionados para fazer o teste”, disse o delegado Luiz Henrique.

Conforme as investigações, os examinadores do Detran, responsáveis pela avaliação dos candidatos, possuem participação nas fraudes. O delegado Luiz Henrique questiona o porquê do preenchimento dos laudos como “aprovado”, se os candidatos nem sequer realizaram a prova.

A investigação está sendo realizada em conjunto com a Corregedoria do Detran, que, paralelamente à investigação criminal, vai instaurar procedimento para responsabilização dos servidores no âmbito administrativo, bem como da autoescola Tapurah, que corre o risco de perder o credenciamento perante o órgão.

midianews

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