Suiá Missu: Governo e Assembleia querem Dilma Roussef na discussão

O Governo do Estado e a Assembleia Legislativa articulam uma estratégia para sensibilizar a presidente Dilma Roussef sobre a necessidade de suspender o decreto que determina a retirada dos produtores da área remanescente da Fazenda Suiá Missú, decretada reserva indígena Marawatsede.

 A estratégia de chegar até a presidente começou a ser elaborada quando o secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), desembargador Paulo Lessa se reuniu na AMM com os deputados Jose Riva (PSD) e Baiano Filho (PMDB), os prefeitos Edi Scorsin de Porto Alegre do Norte, Naftaly Calisto de Vila Rica e Filemon Limoeiro de São Felix do Araguaia, além da presença de representantes dos produtores que vivem há mais de 30 anos na área.

 O encontro foi convocado pelo prefeito Filemon que reivindicou apoio à Secretaria de Direitos Humanos no processo de retirada dos produtores. O prefeito teme que uma grande tragédia aconteça na região do Posto da Mata, onde cerca de 7 mil pessoas lutam pela permanência na área. “A Força Nacional está acampada dentro da aldeia com uma postura muito forte de defesa aos índios, estão constrangendo as famílias, revistam carros, questionam o moradores sobre um possível plano de resistência; lá existem famílias que nasceram, tiveram seus filhos e netos, trabalharam a terra, colheram dela seu sustento, e são unânimes em dizer que só sairão de lá mortos, isso é uma tragédia anunciada”, alarmou o prefeito de São Felix, Filemon.

 Para o deputado Baiano Filho, que acompanha a situação de perto, a decisão sobre a suspensão do decreto de retirada é exclusivamente política. “A presidente Dilma vai ter que receber o governador Silval, a bancada federal, a Assembleia Legislativa, prefeitos, enfim, que for de direito e discutir o assunto, ela precisa ouvir a população, quem está fora da situação não entende o clima, a FUNAI precisa reconstruir a estratégia pacificamente”, categorizou Baiano.

 Baiano ainda foi mais drástico defendendo que a região se mobilize de forma contundente até que a presidente se sensibilize em atender a classe política do estado e tratar pessoalmente o assunto.

 O presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva defende que Executivo e Legislativo montem uma estratégia para que a presidente Dilma sente e ouças as partes interessadas. “Não adianta o governo federal proteger uma etnia e deixar outra encurralada e subjulgada como estão fazendo com as famílias que estão lá; existem idosos de 70 anos que dizer que só saem mortos, vai ser uma mortandade, o clima é tenso, o Brasil não pode ignorar a questão”, enfatizou Riva.

 O secretário Paulo Lessa se colocou a disposição para fortalecer o dialogo com o governo, mas salientou que a decisão é pertence apenas à União. Lessa se comprometeu ainda na construção de uma agenda com a secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário. O órgão está vinculado diretamente à Presidência da República e pode influenciar a tomada de novas decisões.

 Os produtores aguardam ainda esta semana pelo julgamento do recurso impetrado na Justiça Federal que pretende revogar a decisão judicial que determina o prazo de até 31 de outubro para retirada dos ocupantes.

Naiara Martins com CANARANA NEWS

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