Três mortes prematuras: Juninho, Ítalo e Mikaele

Falar em saúde pública em Barra do Garças é motivar a indignação de muitos. Nos últimos dias dois assuntos suscitaram a indignação da opinião pública local. O primeiro foi a mote de Ítalo Xavier, de 21 anos, de Nova Xavantina, que depois de comer um lanche na véspera de natal chegou em casa sentindo-se mal. Ele foi atendido em um hospital a cidade, recorreu a Barra do Garças, onde morreu dia 8 de janeiro no Pronto Socorro Municipal, com suspeita de intoxicação alimentar.
A família de Ítalo Xavier culpa a burocracia do hospital por não conseguido de pronto uma UTI para o rapaz que na virada de ano novo perdera os sentidos. O diretor do hospital, Jailton Pereira de Abreu, diz que o paciente chegou àquela unidade de pronto atendimento sem a guia de regulação, “mas nem por isso deixou de ser atendido na emergência e no dia seguinte foi para um leito de UTI”.
Em um post na rede a família de Ítalo disse que a vereadora de Nova Xavantina Eliane Silveira intercedeu junto ao diretor administrativo do Hospital Regional de Barra do Garças para conseguir uma vaga na UTI. O diretor retruca que os sete leitos estavam ocupados e que não se pode retirar uma paciente para ceder lugar a outro.
No caso de Ítalo, segundo disse o diretor Jailton de Abreu, o procedimento correto seria o médico regulador de São Félix do Araguaia comunicar a Barra do Garças e não havendo leito disponível procurasse outra unidade em Cuiabá ou outra cidade, “em tempo hábil”, disse ele.
O segundo caso foi a morte de Mikaele Nonato de Oliveira, de 22 anos, moradora no setor Serrinha, em Barra do Garças. Com um dente infeccionado a família a levou ao Pronto Socorro onde recebeu atendimento do clínico geral Paulo Egberto Toledo Ribeiro Júnior que prescreveu medicamentos e pediu que retornasse na sexta-feira (24) quando deveria tê-la encaminhado a um dentista buco-maxilo.
Ocorre que não existe um buco-maxilo na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) em Barra do Garças. O médico teria que comunicar a direção do hospital para encaminhar com urgência para a Central de Regulação. O resultado: um dia depois de ter consultado o médico Mikaele amanheceu morta, escorada na cabeceira de sua cama, com suspeita de tétano, segundo relatou sua mãe Jacira Rocha de Oliveira.
Em ambos os casos que aqui citamos para exemplificar a dinâmica da saúde pública de Barra do Garças, houve negligência (falta de diligência; descuido, desleixo; incúria, preguiça; desatenção, menosprezo) conforme traduzem os dicionários. No caso de Ítalo faltou alguém para comunicar o médico regulador em São Félix do Araguaia. No segundo caso o médico deveria comunicar com urgência um seu colega regulador para tentar salvar a vida de Mikaele.
A necessidade de encaminhamento de Mikaele a um buco-maxilo “não chegou ao meu conhecimento”, disse à reportagem o diretor do Pronto Socorro, Jailton Abreu, mas alguém precisa ser responsabilizado por isso.
Entre tantos outras casos que terminaram em morte, como a do idoso que morreu a caminho do abrigo em Aragarças, depois de ter sido atendido no Pronto Socorro Municipal para onde foi levado às pressas pelas religiosas que administram aquele asilo de idosos carentes da Barra do Garças, Aragarças e região. Também não se pode esquecer a inesperada morte de Ademar Ferreira Dantas Júnior (Juninho), de 38 anos, funcionário da Câmara de Vereadores de
Barra do Garças que deu entrada naquele hospital dia 15 de agosto  com ferimento na parte superior da mão direita e na perna por colisão com outra moto.
Juninho morreu em 30 de agosto de 2013. Segundo seus pais, Ronaldo Souza e Luzia Maria da Silva, para que fosse atendido, conforme disse ao portal Semana7 foi preciso gritar: “Eu sou o Juninho da Câmara”. Depois de medicado veio a recuperação, “meu filho já andava pelos corredores” quando foi surpreendida “pela troca de medicamentos por uma enfermeira” que o hospital não quis fornecer o nome, conforme dona Luzia.
Desesperada a mãe de Júnior, assim que soube do incidente que vitimaria seu filho na madrugada de 30 de agosto, ligou desesperada para o presidente da Câmara, o vereador Miguel Moreira, conhecido como Miguelão (PSD) “quando fui pisoteada, Miguelão é um bicho”, disse dona Luzia, enquanto seu marido confirma que o vereador teria tratado “mal minha mulher e chamou meu filho [Júnior] de cachaceiro”.
A desculpa de Miguelão foi alegar que Juninho, quando sofreu o acidente, estava fora do horário de serviço, acusou a vítima, mas não teve coragem de acusar como vereador os responsáveis pelo erro médico. Com a repercussão Miguelão ofereceu o plenário para velar seu corpo do rapaz. A família recusou. Em junho daquele ano Juninho disse na redação de A Semana que estava sendo perseguido por Miguelão. [COM REPORTAGEM DE SÉRGIO SANTANA] Semana7

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