‘Um mês de aflição’, diz mulher de piloto que sumiu após roubo de avião

Mulher de piloto Evandro Abreu diz que nenhum contato foi feito pelo marido.
O marido dela e o copiloto da aeronave sumiram no dia 20 setembro.

Márcia Abreu relata sofrimento após desaparecimento do marido (Foto: Denise Soares/ G1)

Desde o desaparecimento do piloto Evandro Rodrigues de Abreu e do copiloto Rodrigo Frais Agnelli, no dia 20 do mês passado, os dias das famílias têm sido de angústia e esperança de receber boas notícias. A mulher de Evandro, Márcia Abreu, disse nesta segunda-feira (20) que nos últimos 30 dias a família não recebeu nenhuma informação sobre o paradeiro dos pilotos. Eles estavam no aeroporto municipal dePontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, aguardando a então candidata ao governo Janete Riva (PSD) para seguir viagem e desde então não foram mais vistos.

“Vivo na espera, um dia após o outro. À espera de que o telefone irá tocar com alguma notícia dele ou de que ele aparecerá sem avisar. Espero que essas pessoas [sequestradores] tenham a bondade de deixá-los”, disse Márcia. Ela e Evandro tem um casal de filhos, de 9 e 14 anos, e a luta dela depois do desaparecimento do marido é tentar fazer com que eles mantenham a rotina, principalmente de estudos. “Não tem sido fácil, porque tem dia que eles vão para a escola e depois recebo a ligação para buscá-los porque eles não estão bem”, relatou.

A suspeita da polícia é de que o avião, de propriedade de Janete Riva, tenha sido roubado e os pilotos, sequestrados. Márcia contou que o marido trabalhava há um ano com a família Riva e que é um homem honesto e íntegro. “Não existe a menor possibilidade, como a própria polícia cogitou, dele ter sumido com o avião. É uma pessoa de caráter, de uma índole sem tamanho”, pontuou, descartando qualquer possibilidade de o marido e o copiloto terem fugido com a aeronave.

Evandro Rodrigues de Abreu e o copiloto Rodrigo Frais Agnelli estão desaparecidos. (Foto: Reprodução/ TVCA)Evandro Rodrigues de Abreu e o copiloto Rodrigo Agnelli
estão desaparecidos. (Foto: Reprodução/ TVCA)

Segundo a Polícia Civil de Pontes e Lacerda, que apura o desaparecimento, desde o ocorrido algumas informações sobre a suposta localização do avião chegaram até a polícia, mas que nenhuma delas se confirmou. A investigação corre sob sigilo, conforme a polícia.

Após o crime, a polícia de Mato Grosso foi à Bolívia, já que a principal suspeita é de que o avião tenha sido levado para o país vizinho por traficantes de drogas. Pontes e Lacerda está localizada na região de fronteira, o que reforça essa hipótese.

Quinze minutos antes do desaparecimento, a equipe que trabalhava na campanha de Janete Riva havia mantido contato, por telefone, com os pilotos. Quando Janete chegou ao aeroporto, acompanhada do então candidato ao Senado pelo PSD, Rui Prado, e o marido da então candidata, deputado José Riva, a aeronave não estava mais no local. Ela então registrou boletim de ocorrência.

 Aeronave modelo King Air, prefixo ATY, desapeceu neste sábado (20) (Foto: Assessoria de imprensa)Aeronave modelo King Air, prefixo ATY, sumiu no dia 20 do
mês passado (Foto: Assessoria de imprensa/ Janete Riva)

A partir daí começou a investigação, com o apoio da polícia boliviana. Os policiais percorreram várias fazendas que possuem pistas de pouso, em território vizinho.

A mulher do piloto lamentou o fato de que, sem a punição dos culpados pelo crime, esse tipo de roubo não terá fim. “O mais triste é saber que esse não é o primeiro e não será o último roubo de avião com o sequestro de pilotos”, disse. Casos como esse têm ocorrido com certa frequência em Mato Grosso.

Vítima de situação semelhante, o piloto Clymer Portela contou que quando foi sequestrado, em… passou o dia todo trancado em um quarto. “Ficava trancado o dia todo em um barraco no meio da floresta. De repente, por Deus, fui libertado”, afirmou. O piloto que tem mais de 30 anos de profissão, ele foi mantido refém na Bolívia, em 2010. Ele saiu de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, em um avião bimotor com destino a Cáceres, a 220 km na capital, na fronteira com a Bolívia.

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