Universitários filmam onça-pintada e filhotes na serra de Barra do Garças após queimadas

Após um ano do incêndio que atingiu 70% do Parque Estadual Serra Azul, no município de Barra do Garças, uma família de onças-pintadas composta por uma fêmea e dois filhotes foi flagrada há poucas semanas por armadilhas fotográficas de pesquisadores. Essa é uma ótima notícia para o coordenador de Unidades de Conservação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Alexandre Batistella, já que se trata de um predador no topo da cadeia alimentar. “Além de estar conseguindo se manter, também obtém alimento para seus filhotes.”

Segundo assessoria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, pode ser que a onça tenha se reproduzido no parque, e se isso for confirmado, é um avanço pra biodiversidade local porque a vida animal está retornando à Serra Azul. Além disso, é um tesouro para os moradores, já que durante o incêndio vários animais fugiram ou morreram, diminuindo a expectativa de vida da flora e fauna. Batistella acredita que a natureza continua resistindo à ação humana e já desenvolveu recursos naturais capazes de oferecer abrigo à outras espécies de bichos. “Essa descoberta significa que o parque tem qualidade ambiental adequada, pois existe presa suficiente para alimentar as onças, então, é possível que a natureza já esteja saudável”.

Após a identificação das onças no parque, o coordenador informa que a Sema vai intensificar o monitoramento e a fiscalização no local para evitar que a natureza volta a ser agredida e isso prejudique a permanência da vida animal. Ele alerta que matar animais como a onça-pintada é crime inafiançável, já que a espécie é listada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como ameaçada de extinção. Globalmente é classificada como quase ameaçada. “A população precisa se conscientizar e não agredir o meio ambiente porque muitas espécies sofrem quando seu habitat é destruído.”

Monitoramento acadêmico

Ainda conforme a assessoria, as armadilhas fotográficas foram instaladas há um ano no parque pelo pesquisador e professor de ecologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fernando Pedroni, para a realização de um inventário da biodiversidade local. O trabalho faz parte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) que tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Segundo o professor, só um monitorando mais aprofundado pode mostrar se a família de onça só estava de passagem ou se realmente reside lá. “É emocionante saber que há registro de onça-pintada no parque. Só tínhamos relatos dos fazendeiros que moram próximo ao local, mas essa notícia nos serviu de alerta para intensificar a preservação daquele espaço que é rico em biodiversidade”. A câmara capturou também imagens de outros felinos, como jaguatirica e onça-parda e canídeos, como lobo-guará e cachorro-do-mato.Assessoria/Sema

Destruição

O incêndio que atingiu 70% do Parque Serra Azul aconteceu em agosto do ano passado e durou quase 8 dias. Esse foi um dos maiores incêndios dos últimos 7 anos. Na época, o caso ganhou repercussão nacional devido sua gravidade. A investigação identificou que o fogo surgiu na casa de um casal de idosos que moravam numa chácara nas proximidades do parque. Eles estavam cozinhando feijão com gordura de porco e ao final do preparo da comida jogaram um tição (resto de madeira queimada) no mato e foram dormir. Na manhã seguinte o fogo se espalhou rapidamente e consumiu a vegetação.

Em agosto deste ano teve início de queimada numa área distante do parque, mas antes que as chamas se alastrasse o incêndio foi controlado.

O parque

É uma unidade de conservação criada a partir da Lei nº 6.439, de 31 de maio de 1994. O Parque Estadual da Serra Azul (Pesa) possuiu 11 mil hectares, fica no município de Barra do Garças e tem a vegetação de Cerrado. Ao todo, Mato Grosso possui 46 unidades de conservação.  Olhar Direto

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