Usina que produz etanol de cana começa gerar combustível de milho

A indústria espera moer cerca de 300 toneladas de milho por dia.

Foram investidos quase R$ 20 milhões em equipamentos e adaptações

A usina que produz etanol de cana desde 2006 começou as pesquisas com milho há pouco mais de um ano. Nas últimas semanas foi feita a primeira produção de 90 mil litros de etanol do cereal. Até o momento foram investidos quase R$ 20 milhões em novos equipamentos e adaptações. Parte das máquinas usadas no processamento da cana, também servirão para a moagem e fermentação do milho.

O diretor geral da empresa, Sérgio Barbieri, explica que a vantagem de produzir etanol de milho é ocupar as usinas no período da entressafra da cana. “As usinas trabalham por 11 meses durante o ano”. Praticamente não há alteração nos equipamentos que fazem etanol de cana para fabricar o combustível feito de milho. “A caldeira que gera vapor, o gerador que gera energia, as dornas de fermentação e as colunas de destilação existente já no parque industrial para fabricar cana são as mesmas para produzir etanol de milho”, pontua o diretor industrial da fábrica, Vital Nogueira.

Outro benefício é também a integração que acontece para a geração de energia. Ou seja, o bagaço que sobra da produção de etanol de cana vai ajudar a tocar a industria de milho. “Esse bagaço retorna para a caldeira onde vai gerar vapor, que é energia térmica. A energia térmica vai para uma turbina e gera energia elétrica. A sobra do vapor da energia elétrica volta para a fabrica de milho servindo para o cozimento da mistura do cereal e para a destilação do produto. Dessa forma, se fecha o circuito sem precisar comprar energia e outros produtos, como o lenha”, acrescenta Nogueira.

De acordo com os diretores da fábrica, o custo para produzir um litro de etanol de milho é R$ 0,13 mais caro que a produção do etanol a partir da cana. Para cada litro de milho são gastos cerca de R$ 1,23, ante a R$ 1,13 para a produção de etanol de cana. Mas dos cereais é possível ter mais produtos, como o farelo de milho, que pode ser dado aos animais. “Temos a ração com alto valor proteico e o óleo bruto que também pode ser comercializado”, diz o diretor industrial da fábrica.

O combustível vai ser vendido para distribuidoras de Cuiabá e pode ser usado normalmente em veículos. A previsão é produzir por dia cerca de 120 mil litros de etanol a partir de milho. A usina espera moer cerca de 300 toneladas de milho por dia e com isso consumir parte do grão que é produzido aqui em Campos de Júlio, Região oeste de Mato Grosso. “A expectativa dos produtores é ganhar mais pelo saco do produto, sem que precise mandar para outros estados” pontua o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira.

Ele destaca que apesar de Mato Grosso sofrer com a falta de uma logística adequada, o preço do milho, que é um dos mais baratos do país, compensaria a produção do etanol. “Em vez de exportar o milho, que tem um preço baixo, podemos comercializar o produto com valor agregado”, afirma Silveira.

Sorgo – A indústria também esta preparada para produzir etanol de sorgo e tem proposta de garantias de preços aos produtores. “O produtor sempre tem problema com o sorgo. Nós garantimos 75% do valor do milho para a entrega do sorgo, assim o produtor tem uma segunda opção para o plantio da safrinha”, pontua o diretor geral da empresa, Sérgio Barbieri.

G1 MT

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