Venda de agrotóxico contrabandeado gerava lucro de até 100%, diz PF

Polícia Federal cumpriu mandados de prisão em municípios de SP e MT.
Investigação mostrou que comércio ocorria em Mato Grosso.

agrotóxico contrabandeado (Foto: Divulgação/PF)Agrotóxico contrabandeado foi apreendido durante
operação da Polícia Federal (Foto: Divulgação/PF)

A quadrilha responsável pelo contrabando de agrotóxicos oriundos do Paraguai e destinados a abastecerem lavouras de Mato Grosso chegava a lucrar até 100% com o comércio dos produtos ilegais. É o que aponta o delegado da Polícia Federal de Rondonópolis, Bruno Costa de Toledo, responsável pelo caso.

Embora o volume financeiro arrecadado ao longo das operações pelos suspeitos ainda não tenha sido levantado pela PF, o negócio mostrava-se vantajoso para a organização. Além de importar de maneira ilegal o produto, ela também atuava na falsificação de defensivos dentro do estado.

“Quando o produto era contrabandeado eles vendiam a preços do Paraguai com lucro de 100%. Quando o produto era falsificado, eles colocavam um pouco mais da metade dele e comercializavam na região”, declarou Toledo. Os materiais eram revendidos a produtores rurais que adquiriam os materiais a preços considerados abaixo de mercado. De acordo com a Polícia Federal, Mato Grosso era o estado ao qual se destinavam os agrotóxicos irregulares. Não foi identificada a venda do material para outras unidades da federação.

Na operação São Lourenço, deflagrada pela PF nesta quarta-feira (14), 16 pessoas foram presas, três veículos e US$ 1,4 mil apreendidos. Ao todo, 21 foram os mandados de prisão expedidos pela justiça. A polícia ainda procura pelos demais suspeitos de integrar a quadrilha que agia com falsificação, comercialização e contrabando de agrotóxicos. Ainda na quarta-feira, os presos foram ouvidos pelas autoridades.

Conforme Toledo, dois irmãos residentes em Rondonópolis são considerados chefes da quadrilha. Eles são suspeitos de planejar toda a atuação envolvendo desde o contrabando do material até sua destinação final a produtores de Mato Grosso. Boa parte das vendas ocorria mesmo em Rondonópolis, onde está localizada uma das principais regiões produtoras do estado. Todos os presos pela polícia nesta quarta-feira agiam como fabricantes, vendedores e contrabandistas.

“Mato Grosso, por ser um estado agrícola, os líderes de Rondonópolis tinham contato com quem fornecia o agrotóxico tanto contrabandeado quanto falsificado e forneciam para agricultores da região”, pontuou Toledo, ao G1. De acordo com o delegado, não foi possível contabilizar o volume de agricultores que recorreram ao produto.

Além da operação São Lourenço, deflagrada pela Polícia Federal e cuja investigação iniciou ainda em 2010, casos da mesma natureza foram contabilizados no estado. Há pouco tempo, a Polícia Civil de Mato Grosso desmanchou um esquema de falsificação e distribuição de agrotóxico.

Mais de uma tonelada de agrotóxicos foram apreendidos (Foto: Divulgação / PF)Mais de uma tonelada de agrotóxico foi apreendida (Foto: Divulgação / PF)

De acordo com a polícia, os suspeitos atuavam em todo o país. A ação foi deflagrada nos municípios paulistas de Bady Bassit e São José do Rio Preto, noroeste do estado de São Paulo. As investigações mostravam que o defensivo era fabricado de forma irregular e para garantir a venda dele, suspeitos colocavam-no em embalagens reutilizadas de uma marca famosa.

Fiscalização
Chefe de fiscalização de insumos agrícolas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Sidnei Francisco Cruz diz que o controle da prática criminosa torna-se ineficiente quando agricultores fomentam a prática criminosa.

“Por mais que haja esforço do poder público, se não houver a conscientização do consumidor do produto irregular fica muito difícil combater o contrabando, a pirataria. Seja de agrotóxico ou qualquer insumo agrícola porque na verdade quem fomenta esse comércio é o comprador”, contextualizou.

G1 MT

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